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sexta-feira, 14 de junho de 2013

Cinquenta Tons do Sr. Darcy

Certo dia, estava eu na Livraria Cultura esperando por uns amigos quando me deparo com este livro bizarro aí do lado. Eu e meu marido começamos a folhear e caímos na gargalhada. Rimos tanto que até pensei em comprá-lo, mas, como tinha tantas outras coisas para ler, acabei não comprando. Agora, finalmente, chegou a hora de conhecer o lado pervertido do Senhor Darcy.

O livro é uma paródia que mistura Os Cinquenta Tons de Cinza de E.L. James com Orgulho e Preconceito de Jane Austen. Eu achei simplesmente hilário esta mistura inusitada.

Em verdade, não é preciso nem forçar muito a barra para provocar riso. Os Cinquenta tons original é tão absolutamente sem sentido que já é engraçado por natureza. O recato da personagem principal que nunca namorou aos 21 anos. Os pensamentos sem noção e a fala com a deusa interior de Anastacia/Bella. A sua maneira desastrada de cair a todo instante que de repente some quando ela é possuída pelo todo poderoso (lê-se aqui: rico, rico, rico) Christian Gray. A obsessão de Gray em controlar o que a moça come e as perversões sem sentido dele. Enfim, bastou ao autor da paródia (que usa o pseudônimo de Emma Thomas, mas que claramente é um homem), salientar esses pontos e, em alguns casos, conversar com o leitor, afirmando diretamente que estava falado sobre isso. Como quando o autor arranja um balão para simular o passeio de helicóptero que tem no Cinquenta tons original e que não seria possível no século XIX.

Com relação ao sexo, acontece exatamente como no Cinquenta tons original. Muita falação. Muita dúvida e pensamentos delirantes da protagonista. Muita demonstração de artefatos bizarros. Discussões por mensagens entre os personagens. O fatídico contrato que faz as donas de casa ávidas por sacanagem no mundo inteiro suspiraram também está na paródia. Mas cena de sexo só tem uma mesmo.

Olha, foi bem inusitado ver o Senhor Darcy, queridinho das românticas exercendo esse papel. Para falar a verdade, de fato, os dois têm alguma coisa em comum. De cara, percebe-se o dinheiro. Aliás, há livro voltado para o público feminino que o herói não seja rico? Príncipe encantado tem que ter castelo, não é não? Mas, além disso, ambos tem um quê de manipulador, de poderoso e, para uma paródia, a escolha me convenceu. A Lizzie Bennet de Anastacia Steel também deu pano pra manga. Esse lance de ela ser a irmã feia/inteligente deveria ser algo original no tempo de Jane Austen. Sabe aquela feia que é só tirar o óculos e soltar o cabelo que fica linda nos filmes americanos? Pois é, tanto Lizzie Bennet quanto a protagonista de Cinquenta Tons são assim.

Bem, eu achei divertido ler essa paródia. Principalmente porque conheço os dois livros e os gêneros em que se inserem. São, sem sombra de dúvida, livros para mulheres e ver apontados os vícios desses gêneros como numa caricatura foi engraçado. Acho, entretanto, que se você é grande fã de qualquer uma das obras envolvidas, vai talvez se sentir ofendida. 

Também terminei o livro com vontade de ver de novo Orgulho e Preconceito, o filme, porque, como todas as mulheres do mundo, eu também adoro o Senhor Darcy. 

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Reunião

Hoje, depois de uma segunda de muito trabalho como presidente de mesa numa das seções para a eleição para diretor na escola em que trabalho, tirei o dia de folga e consigo, enfim, voltar à rotina.

Como estou meio de ressaca depois de tanto estresse e confusão (graças a Deus deu tudo certo e os alunos botaram para correr um passado que não enobrece a instituição), escolhi ler mais um livro da minha série favorita desses dias: A mediadora. E foi assim que cheguei a mais uma aventura de Suzannah e Jesse.

Para mim, foi o mais fraquinho dos três até agora. Começo a entender porque as pessoas dizem que é repetitivo. Bom, foram três livros e três garotos lindos atrás de Suze (fora o fantasma, é claro!). E ela ainda diz que ninguém dá bola pra ela. Me poupe, né?

Além disso, a insensatez da personagem principal está indo por um caminho que não me agrada. Sério? Ir num penhasco abandonado sozinha com um assassino sem avisar a ninguém? Pelo menos, ela foi lá com a intenção de matar o cara, o que a deixou, apesar de bastante estúpida, um pouco mais humana. 

Também não é o livro mais engraçado. As piadinhas são bem menos interessantes e mais raras do que nos dois primeiros, em compensação, os corpos mega-sarados com peitorais salientes que são uma das marcas registradas de Meg Cabot estão por todos os lados. Porém, os meio-irmãos de Suze, uns fofos eles, estão por todas as partes também. Quase vomito um arco-íris quando Soneca chama a mãe dela de "mamãe".

Gostei também da plot. Dessa vez, Suze conta com a ajuda de sua melhor amiga Gina, em visita  a Califórnia, para solucionar um misterioso acidente envolvendo quatro jovens perfeitos de um colégio particular da cidade. Os fantasmas, apesar de esnobes, não são tão escandalosos quanto os anteriores, e, pela primeira vez, vamos ver alguém conversar com fantasmas e tentar uma solução amistosa.

Nesse livro, também, a gente começa a conhecer melhor o passado. Uma namoradinha do padre aqui, uma palavrinha a mais da vidente que previu que Suze era mediadora ali, uma sugestão de que Jesse já possa ter matado alguém... Nada que chame demais a atenção.

Por isso, apesar de divertido e leve, só indico a leitura de Reunião por fazer parte da série. Mas eu poderia viver sem tranquilamente...

terça-feira, 11 de junho de 2013

Dia dos Namorados


Eu já tinha até escrito ontem o post de hoje, daí me lembrei que não tinha mencionado o Dia os Namorados e voltei para escrever esse daqui...

Bem, pode até ser uma data extremamente comercial (meu cartão de crédito também sofreu, se vocês querem mesmo saber), porém, quem é que não gosta de se sentir amado? De se sentir lembrado? De compartilhar momentos de beijinho, carinho, denguinho e todos os outros diminutivos que só os muito apaixonados se permitem? Eu gosto demais. E gosto de presente também (no caso, a coleção capa dura dos livrinhos do Harry Potter).

Nesse climão de paixão no ar, corações e chocolates, resolvi copiar os blogs literários por aí e falar de alguns dos meus casais favoritos da Literatura. E nada de Bella e Edward, porque eu não gostei de Crepúsculo, nem do mais clichê dos clichês que é Romeu e Julieta, nem do par de chifres que ninguém sabe se a Capitu colocou no Bentinho, nem de Katniss e Peeta, porque aquilo lá não é amor, é psicopatológico. 

De modo que ai está o meu Top 10. Veja se você concorda comigo:

10. Aragorn e Arwen - O casal de Senhor dos Anéis é o décimo da minha lista, porque acho lindo a sutileza e a entrega deles. Arwen abre mão da eternidade com os seus (ela é elfa), por alguns instantes da vida do mais doce entre os bravos guerreiros homens. Quando o assunto é imortalidade, acho que a escolha de Arwen é muito mais difícil do que a de Bella.

9. Magri e Crânio - Esses dois personagens são da série Os Karas do Pedro Bandeira que permeou minha infância e início da adolescência. Na verdade, todos os rapazes do grupo de investigadores tinham uma quedinha por Magri, a única menina. Ela, pelo jeito, preferia o Miguel, o líder. Eu, por outro lado, sempre achei que ela deveria ficar com o Crânio, o mais inteligente deles e o mais apaixonado por ela também. Se não me engano, rola até beijo entre eles. Que eu me lembre, ela nunca escolheu nenhum dos Karas, a sacaninha.

8. Hazel e Augustus - O casalzinho de A culpa é das estrelas de John Green leva o oitavo lugar por saber viver. Que importa todos os problemas do mundo? Que importa se vamos todos morrer? O hoje está lindo e é por isso que se chama presente. É isso que eu entendo do amor desses dois. LINDÃO DE MORRER!


7. Senhor Darcy e Lizzie Bennet - Todo mundo adora o Senhor Darcy de Orgulho e Preconceito, vamos combinar? Ele é um fofo. E também, que mulher não quer fazer cagada em cima de cagada igual a Senhorita Elisabeth Bennet e sua "adorável" família e ter um homem desses só resolvendo as pendências, ainda que ele não seja o mais doce dos cavalheiros, não é?

6. Carolina e Augusto - Vocês já sabem que eu tenho um apego grande demais por A Moreninha. Adoro a maneira extremamente boboca de como essa história é conduzida. Romance romântico do Romantismo com todos os elementos de época possíveis. A reviravolta que todo mundo espera no final e tão água com açúcar que diabéticos não podem ler. A-DO-RO!

5.  Peter Pan e Wendy - Não sei se é amor ou relação de mãe e filho, o complexo de Édipo fica subentendido lá pela Terra do Nunca. Mas, o que interessa é que Peter quase desiste do sonho da infância eterna pelo beijo de Wendy. Vamos e convenhamos, não é isso o que é crescer?

4. Lucy e Schroeder - A Lucy é girl power total! Ela não desiste nunca. E quem nunca teve de dar uma apelada para chamar a atenção de um cara que atire a primeira pedra...


3. Rony e Hermione - O que é que se pode dizer desses dois? Olha, nem acho a JK Rowling uma grande escritora no ramo dos amores e romances, mas esses dois são fofos que doem, tanto nos livros quanto nos filmes. Eles tinham que estar no meu pódio. 

2. Han Solo e Leia Organa - Não podia deixar de fora o Badboy espacial Han Solo e a princesa que deixa nerds babando até hoje Leia Organa. O companheiro de Chewbacca e a filha de Darth Vader com suas idas e vindas tornam assistir à Guerra nas Estrelas um bom programa para se fazer com o namorado. Pra quem está pensando que estou trapaceando colocando casais de filmes e não de livros, engana-se, tem livros também. Mas, no caso desta saga, o caminho foi inverso, dos cinemas para as livrarias.



1. Bridget Jones e Mark Darcy - Pensei muito sobre quem deveria ocupar o primeiro lugar deste embate amoroso. Tinha que ser a Bridget e o Mark por todas as suas imperfeições. Porque eles brigam e fazem as pazes. Porque não perdem a oportunidade de rir um da cara do outro. E também porque sempre estão lá quando se precisam. Mesmo que não seja perfeito, eles são perfeitos uma para o outro.




Quanto romance no ar...
Então, se você está aí chupando o dedo: que pena!! 
Fica na companhia desses casais maravilhosos hoje. Vale até tirar o Edward e a Bella da estante, tá? Come um chocolate. Torce pro dia acabar. Julho tá chegando e você tira o atraso de beijar na boca nas férias. E quem sabe? Vai que um grande amor te espera....

Ah! E quais os seus casais literários mais queridos? Deixa pra mim nos comentários. Eu quero saber.

Trecho do capítulo XV de Pra você guardei o amor

Por volta da meia-noite, Milena entrou num quarto preparado especialmente para ela no buffet para trocar de figurino. Depois das fotos, ia usar um tubinho cor-de-rosa muito mais sensual e mais apropriado para dançar o resto da festa inteira.
Ela achou estranho quando a mãe não fora ajudá-la. Ana Maria e Mariana tiveram de distrair bastante Dona Heloísa com problemas dos mais variados para que ela se abstivesse dessa tarefa. Mile trocou de roupa sozinha e subiu o zíper até onde pôde. Quando percebeu que a moça estava quase pronta, apenas dando um retoque na maquiagem, Malu, que acompanhava os movimentos por uma fresta na janela, deu sinal para Vini que cortou a energia. Rapidamente, André deu um jeito para colocar Felipe dentro do quarto sem fazer barulho.
Quando a luz voltou segundos depois, Felipe estava em pé na porta do quarto, de smoking, com uma mão no bolso e a outra segurando um ramalhete de rosas cor-de-rosa. Lindo.
─ Feliz aniversário, minha princesa!
A voz de Felipe era o único presente que ela queria ganhar. Milena se levantou e foi em direção a ele tentando segurar seu coração que dava saltos dentro do peito querendo sair. Aquela chance ela não iria desperdiçar. Mile se apoiou na pontinha dos pés para alcançar o ouvido de Felipe e sussurrou:
─ Me dá um beijo, Lipe?
Felipe delirava de prazer ouvindo aquilo. Ele estava preparado para levar outro fora. Submetera-se a todos os artifícios de Ana Maria sem acreditar que surtiria efeito. Esperava encontrar Milena e Bernardo juntos, mas mesmo assim viera porque precisava vê-la. Precisava dar uma boa olhada naqueles olhos incompreensíveis de Milena de novo, tentar desvendar o mistério. A ajuda dos amigos fez surgir uma esperança.
Quando Milena pediu um beijo, teve de forçar seu coração a bater de novo. O mundo parou repentinamente. E se não fosse a vontade maior ainda de tê-la nos braços, nunca mais moveria nada só para continuar vivendo esse momento pela eternidade.
Aproveitou a proximidade com o pescoço dela e lhe deu um beijo perto da orelha que deixou a ambos arrepiados. Milena suspirou de olhos fechados. Com uma paciência que vinha sabe-se lá de onde, Felipe fez a volta em torno dela e com a mão grande fez um carinho nas suas costas antes de fechar o restante do zíper do vestido. Ela estremeceu.
Ele colocou o ramalhete sobre a cama e subiu as duas mãos quentes pelos braços de Milena enquanto continuava a beijar-lhe o pescoço. A respirar seu perfume como um viciado que se entrega à droga favorita. Milena, sem mover um músculo, não aguentava mais e pediu:
─ Por favor, Lipe, eu imploro... Me beija?

O rapaz a fez virar e a abraçou forte antes de delicadamente tocar seus lábios. Foi Milena que o agarrou por completo, afoita de matar uma saudade com a qual ela lutou muito para que não existisse. O sentimento vencera a batalha. Eles sempre vencem. E agora ela estava perdida, perdida de amor. Por outro lado, nunca tivera tanta certeza de estar no lugar certo com a pessoa certa. Felipe entrara no seu coração para ficar e era melhor admitir logo isso.

sábado, 8 de junho de 2013

Toda Poesia - Paulo Leminski

Estou apaixonada por Leminski. Constatei diante destes versos:

mesmo 
na idade 
de virar
eu mesmo

ainda
confundo
felicidade
com este
nervosismo

Ai Caramba! Como faz pra ser assim tão simples e assim tão complexo nesses 13 vocábulos? 
Ele me ganhou, me arrastou por cada linha, me encantou e agora já não vejo minha vida sem Leminski. Já pensei em mil questões para minhas próximas provas lá no trabalho.Vou instituir a questão Leminski em todas elas. Todos nós precisamos de um pouco de contrários: simples e complexo, pop e erudito, rigor e emoção. E esse Curitibano é tudo isso e mais um pouco.

Vou contar minha história com esse livro. Como alguns de vocês já sabem, eu não sou muito fã de poesia, mas, por questões de trabalho, vez ou outra leio alguma coisa. Bem, eu conhecia pouco sobre Paulo Leminski. Aliás, a década de 70 para mim, em termos de literatura, é toda meio nebulosa. Na faculdade, não lembro muito de focarmos nela. Em todo caso, Leminski para mim era apenas um cara polêmico com alguns poemas concretos em livros didáticos e era adepto dos haikais japoneses (poemas de três versos de origem oriental). 

Aí, saiu essa nova edição de suas obras. Bom, a capa é linda. Vamos combinar que esse laranjão berrante e o bigodão estão simplesmente o máximo! Vai ficar um luxo na minha estante. Minha mãe, inclusive, acha que eu comprei o livro somente pela capa, mas não é verdade. Até porque, não é por nada não, mas o preço do livrinho é bem salgadinho. Eu não ia comprá-lo tão cedo. Só que, dia desses, estava eu assistindo ao GNT e vi uma entrevista com a Maitê Proença sobre o que ela estava lendo para a produção do seu novo livro.

Fazendo um parêntesis aqui: ADORO a Maitê! Acho-a uma mulher belíssima e, definitivamente, não por causa dos seus olhos azuis estonteantes, mas por conta de que é tão inteligente que reluz. Ela é tão grandiosa que imagino o esforço que faz para caber na grade de programação da Rede Globo. Pois bem, dentre muitos livros, Maitê mostrou esse daí e eu decidi que deveria tê-lo. 

Foi o livro mais caro do mês, com o frete: R$40,00, mas não me arrependi. O livro me surpreendeu e eu não consegui parar de virar as páginas. Tem poemas lindos. Tem poemas bobos. O poeta vai e volta e brinca com seus sentidos como um ioiô. As palavras vão do cotidiano ao psicanalítico mais brabo em questão de instantes. A mente às vezes sofre para dar uma lógica, ao mesmo tempo que a razão está lá o tempo todo, mas é tão simples que você se força a não compreender de primeira. Incrível! E os poemas concretos são um deleite para os olhos e para a alma. 

Claro, nem tudo é maravilhoso, tem uns poemas apenas sem graça, mas são poucos. A coletânea como um todo está lindona. Eu nem sabia que tinha que ter esse livro. Obrigada, Maitê. A criatividade de Leminski me pegou de jeito. E eu estou completamente apaixonada por ele.

não sou o silêncio
que quer dizer palavras
ou bater palmas
pras performances do acaso

sou um rio de palavras
peço um minuto de silêncios
pausas valsas calmas penadas
e um pouco de esquecimento

apenas um e eu posso deixar o espaço
e estrelar este teatro
que se chama tempo

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Tempo de mudança...


Só esclarecendo que não abandonei o blog... Ontem, por exemplo, eu quase escrevi, mas refleti melhor e não o fiz. Não escrevi porque eu ia acabar me estendendo demais em questões políticas nada literárias e eu estava zangada. Nessas horas, é melhor respirar, contar até dez e se acalmar. Agora, com a cabeça fria, vou dar uma explicação para o que foi a minha semana.

A semana foi de cão. Começou a campanha para diretor na escola em que trabalho. Nossa, que triste ver que as pessoas, em tantas escolas estaduais, querem currais eleitorais, manutenção de poder, status, enfim, tudo, menos a questão pedagógica está envolvida. A eleição para diretor é uma cópia fiel das nossas eleições municipais. E eu tenho nojo de onde se é capaz de chegar para se conseguir o que se quer. Ouvi tanta mentira deslavada esta semana que eu, que pretendia ficar neutra e confiar na clareza da exposição dos candidatos e no discernimento dos alunos, estou tomando partido, principalmente para me defender. 

Meus alunos, cientes do meu trabalho, ficam indignados ao ouvir que os professores se recusam a participar dos projetos da escola por despeito a gestão atual. Bem, no que me diz respeito, meu projeto de festivais do terceiro ano foi cancelado porque a gestão, como fez questão de enfatizar: quer AULA MESMO. Então, meu projeto, por envolver música, refacção textual, compreensão do gênero canção, e mais, por envolver alunos tantas vezes desestimulados do último ano, não é aula mesmo. Ouvi, inclusive, que os temas escolhidos são irrelevantes para a aprendizagem: bom, o tema deste semestre era Raul Seixas, que pode até não ser um exemplo moral, mas jamais alguém, alguém com o mínimo de conhecimento na área cultural, vai poder dizer que é uma escolha irrelevante.

Assim como o meu projeto, vários outros projetos de amigos "perigosos" foram cancelados. Nós, professores, dávamos aula de graça aos sábados para nossos vestibulandos. Esse projeto foi vetado este ano. Não sei o motivo alegado, provavelmente, deve ser porque as aulas do sábado também não eram AULAS MESMO. Quem vai saber?

Aliás, os mesmos professores que tantas vezes deram aulas sem remuneração, que criaram o LiceuVest, estão sendo acusados de serem responsáveis pelas notas do SPAECE que caíram. Veja se isso tem lógica? 

Gente, que coisa feia!

No meu caso, eu acho que nem preciso dizer nada, mas vou dizer. Eu dou aula! E é uma senhora aula, tá? Não haverá aluno meu que diga o contrário. Nos corredores, ainda tiro dúvida e corrijo redação de meninos que nem são mais meus alunos. Eu sou professora porque quero e não estou numa sala de aula sem saber o que fazer. Eu planejo. Eu aplico. E mais, eu estimulo o amor pela língua. 

Enfim, mas muitos são os fatores que interferem nessa nota do SPAECE. Um dos que eu acho relevante é a motivação. Motivação que só surge com organização e esclarecimento. Boa parte dos meus alunos nem sequer sabe para que serve o SPAECE. Nós falamos em sala de aula, mas não é suficiente, é necessário mobilização da escola como um todo para mostrar a relevância do processo. A escola não se mobiliza em prol da "aula mesmo" (seja lá o que isto signifique na cabeça desse povo) e também por causa da desorganização constante que faz parecer que tudo que lá acontece é uma surpresa. Os jogos são de surpresa. Se vai ter gincana é uma surpresa. A premiação dos melhores trabalhos dos seminários é uma surpresa. A data da Feira das Profissões é uma surpresa. Se vai ter obmep é surpresa. Se tem prova no sábado é surpresa. Desde que lá estou, a coisa mais difícil é uma coisa simples: um calendário escolar! Mas a culpa é dos professores...

Vocês compreendem a minha raiva?
É melhor respirar mesmo...

Principalmente, porque os dados do SPAECE caíram, mas a escola recebeu uma placa por ser a escola com maior aprovação nos vestibulares de toda a CREDE 01. Mais do que receber a placa, meu coração exulta de alegria pela conquista de vocês, queridos. Apesar do que possam dizer os outros, esse é o maior presente que vocês nos dão. Porque somos nós, dentro das salas de aula, com a motivação correta, o esclarecimento, o acompanhamento diário, que fizemos este número. E isto basta.

Não vou nem falar da conversa de maluco de que os professores estão roubando. Isso me ofende e ofende vocês. Qualquer pessoa, em sua capacidade mental intacta, sabe que os professores não têm acesso ao dinheiro que é mandado para a escola. Quem quiser ir em papo de pirado, que vá.

Então, para encerrar esse post desabafo, tem um boato circulando pela escola de que os professores vão sair dependendo da eleição. Não posso falar pelos meus amigos, falo por mim. Se esse tipo de coisa continuar a acontecer, se a mudança não vier, eu não vejo um lugar para mim dentro da escola. Minha visão de educação é dinâmica. Eu preciso de muito mais do que a chamada AULA MESMO. Preciso de festivais, de jogos, de vídeos, de semanas temáticas com temas transversais, de participação de aluno na construção do conhecimento. Quero um menino que vá para biblioteca porque quer ler, não porque foi mandado de castigo para fazer tarefa. E, pra começar, quero uma biblioteca real! 

Entendo que tudo que eu faço tem uma vertente pedagógica, mas a visão atual parece não compreender ou aceitar isso. Se assim o for, eu não me encaixo no projeto pedagógico desta instituição. Como funcionária do estado, devo procurar uma escola que tenha um projeto mais coerente com minha forma de pensar.

Meus queridos alunos, esse post é para vocês. Muito tem se dito sobre a VERDADE. Bem, isto é o que acontece comigo. Esses são os meus fatos e a minha verdade compartilhada com vocês em sala de aula. Então, votem consciente. E saibam que estarão decidindo o que acontecerá com uma grande escola, que pode permanecer no passado ou pode enfrentar com a melhor equipe do mundo o futuro.



segunda-feira, 3 de junho de 2013

Jogos Vorazes

Por incrível que possa parecer, já que ando lendo tanto nesses dias, eu nunca tinha lido o tão falado Jogos Vorazes. Mas hoje, com Eragon passeando para lá e para cá nas minhas mãos sem que eu estivesse no menor clima para lê-lo, liguei o meu tablet novo (presente do Governo do Estado do Ceará) e resolvi ver como seria a questão da leitura nele. Apostei no Best-seller de Suzanne Collins e deu muito certo, li o danadinho de cabo a rabo em um único dia.

Com relação a ler no tablet, bom, achei legal. Eu leio pelo computador sem o menor problema desde que fiz pós-graduação, seria impossível graduar-se sem esse tipo de habilidade. Portanto, o tablete não foi tão diferente assim. Porém, confesso, achei que o aparelho seria mais leve de segurar. Chegou a cansar minhas mãozinhas, mesmo assim, acho que deve ser um excelente ferramenta para um voo, por exemplo.

Quanto ao livro, muito bom. Muito bom mesmo! Não imaginava encontrar uma escritora tão boa, tão consciente. Sabe, sou preconceituosa com as escolhas do grande público, em geral, as massas adoram tudo que a sociedade de consumo aponta. Aliás, este é um tema abordado maravilhosamente bem por Jogos Vorazes.  Acho que nem sempre os grandes campeões de venda apresentam alguma qualidade literária. Mas este não é o caso deste livro. Não mesmo.

Estou até com medo de ler o restante da trilogia. Acho que é capaz de  autora perder o ponto do negócio. Porque o livro inicial é completo. Para quem não conhece a história, trata-se de uma distopia, um universo caótico. As pessoas passam fome em seus distritos, enquanto as pessoas na capital se divertem com um reality show. E como funciona este show? Dois jovens de cada distrito são trazidos à capital para lutarem até a morte numa arena.

Katniss, a protagonista, precisa usar de todas as suas habilidades de caça e ainda usar de esperteza para manipular a audiência em seu favor, fingindo, inclusive, um romance com seu colega de distrito Peeta. Adorei a Katniss, não sei se vou continuar a gostar dela, talvez não se a autora mudá-la ao longo da narrativa, mas simplesmente amo o fato de que ela não ama o Peeta desesperadamente. Que ela é capaz de fingir, assim como é capaz de matar, ambos por bons motivos: sobreviver e salvar sua família. O resto é resto diante disso. Eu faria o mesmo.

Gostei também no papel que a moda exerce nesse enredo. Aliás, é um livro interessante para trabalhar a questão da imagem como um todo. Afinal, valemos pelo que somos de fato ou por aquilo que parecemos ser? Jogos Vorazes me faz pensar que não adianta nada sermos pessoas boas, ou termos caráter, se outras pessoas não conseguem ver isso. Talvez, seja melhor fingir como a Katniss e esperar os aplausos da audiência.

De maneira nenhuma esperava que este livro fosse me levar a pensar. Eu imaginava sequências e mais sequências de ação. O livro tem boas cenas de ação e o filme deve ser bem bom também. Vou tentar assisti-lhe em breve. Porém, é um livro, que apesar de claramente voltado para jovens, nos dá muito pano para manga para questionar o consumo e a lavagem cerebral diária que a mídia nos apresenta. Enfim, muito bom demais que só além da conta!

Só não gostei das cenas de pobreza estilo Charles Dickens. Haja miséria fajuta para Katniss e sua família. Às vezes, os autores ressaltam tanto as cores da pobreza que elas acabam soando falsas. Gente falando de pobreza sem conhecer pobreza. É uma tristeza só. E nós brasileiros sabemos por experiência que não é bem assim. Gente pobre é mais feliz ainda. Tira alegria de pedra se for preciso (infelizmente, até da pedra branca eles tiram, mas tiram). Sou contra essa melancolia dos personagens pobres desses livros distópicos. Não me convence de jeito nenhum. 

Mesmo assim, indico demais. Vou criar coragem e ler os outros dois qualquer dia desses. Por favor, se já leu, não me conta nada!