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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

RELICÁRIO



Naquele sábado, estava mais traquina do que nos outros dias. O que, definitivamente, não era pouco. Já tinha quebrado a vidraça do vizinho de trás com a bola de futebol, enterrado seus bonecos de ação no jardim recém-plantado pela senhorinha do apartamento ao lado, ficou pendurado no parapeito da sua janela no quinto andar para isso, causando desespero no pobre porteiro lá embaixo. E não passava das nove da manhã.
Sua mãe cogitou lhe deixar de castigo depois da ligação desesperada do porteiro, mas tinha compromissos de trabalho até o meio-dia. O combinado era que iria para uma festinha de aniversário de um colega de escola. Já tinha comprado o presente. Festa na piscina. Dona Eleonora respirou fundo, fez uma pequena prece pedindo pela segurança de todos e o deixou no endereço do convite.
─ Vinícios, meu amor, – Olhou bem no fundo dos olhos verdes do menino de onze anos complicado que o filho tinha se tornado e, sem deixar transparecer o desespero que carregava na alma, disse – nada de causar problemas para essas pessoas, ok? Preciso que você seja o garotinho mais adorável do mundo pelas próximas três horas. Isso é possível?
─ Mãe... – Ele, envergonhado pelo tom de voz infantilizado da mãe que ainda por cima o chamava de garotinho adorável, queria entrar logo na casa do amigo.
─ Vini... – Ela o provocou. – É possível, meu bem?
─ É. – Respondeu contrariado como todo pré-adolescente sempre é o tempo inteiro.
─ Você pode conter seus instintos destrutivos por algumas horinhas, querido? – Ele fechou a cara. Ela sorriu de dentro do carro, adorava quando ele ficava com vergonha, era sinal de que, em algum lugar ali dentro, ainda havia alguns valores. – Ou preciso levá-lo para uma manhã de sábado tediosa de aulas de tango para a terceira idade? – Sempre que queria convencê-lo, usava esse argumento. Era mais do que eficiente. Vini detestava tango desde que o pai morrera.
─ Tá bom, mãe. Não vou machucar ninguém. – Ela o olhava de dentro para fora. Insistia. Ele continuou. – Nem quebrar nada. Nem xingar. Nem subir em lugares perigosos.
─ Nem arrancar plantinhas indefesas. Nem pregar peças de mau-gosto. Nem fazer chifrinho nas fotos... – Ela poderia continuar aquela lista infinitamente, mas o filho a interrompeu.
─ Já entendi, mãe. “O garotinho mais adorável do mundo”. Ok? – Era tanta ironia naquelas palavras que Eleonora fez outra prece, dessa vez pedindo ajuda ao marido falecido, porque não estava sendo nada fácil desde que ele se fora. Que ele ajudasse nem que fosse do além na criação do filho.
─ Tudo bem. – Respirou fundo. Vinícios já ia descer do carro. – Cadê meu beijo, possa saber?
─ Mãe... – Implorou, mas ela apenas apontou a bochecha e ele a beijou apressado.
Vinícios entrou na casa de Júlio César correndo. Não queria que ninguém o visse beijando sua mãe na porta de casa. Vini era um cara durão para a sua idade. Marrento. Como podia ser pego nesse flagra? Felizmente, ninguém viu.
A casa do amigo era em um condomínio fechado. Precisava cruzar um corredor de casas para chegar à piscina. Mas dava para ver de longe os balões e ouvir a algazarra de, pelo menos, umas vinte crianças correndo e pulando na água. Não foi difícil de achar.
Vini seguia de cabeça baixa, prestando atenção no embrulho do presente. Era um embrulhinho. Eram óculos de natação. Sabia que o amigo adorava nadar. Vini tinha, ele mesmo, feito o pacote de improviso. Estava verificando se o serviço estava bem-feito. Estava passável.
Até se assustou quando uma garota tirou brincadeira com ele. Ela assoviou e o chamou de gatinho. No auge dos seus doze anos incompletos, Vini ficou com muita vergonha. Mas ela, de bicicleta, chegou perto dele e insistiu nos galanteios. “Lindo”. “Que olhos são esses?”. “Que gatinho!”. O assédio foi tanto que ele teve de levantar a cabeça.
A garota era mais velha. Tinha uns treze anos. Um cabelo muito escuro num rabo de cavalo. Um nariz bem afilado. E um sorriso travesso.
─ Você é lindo, sabia? – Ela não se intimidou nem com o olhar dele.
─ Obrigado. – Respondeu ficando vermelho.
─ Você vai para a festa do Júlio César?
Apenas balançou a cabeça em afirmação.
─ Vai não, gatinho. Fica comigo.
Vini nunca conhecera uma garota tão direta. Ela sabia exatamente o que queria. Aquilo o assustava. Várias garotas já tinham dito que era bonito. Gostavam dos seus olhos verdes e do seu sorriso. Mas ela era a primeira a pedir para ficar com ele. Ficar.
Vini sabia exatamente o que significava, mas nunca tinha lhe passado pela cabeça ficar com alguém. Bem, talvez com uma pessoa, mas nem ele admitia isso ainda. Nunca tinha beijado ninguém. Não beijaria uma total desconhecida.
─ Não. Obrigado. – Baixou a cabeça e seguiu apressado até o fim do corredor. A garota espiando sentada na bicicleta.
No mais, a manhã correu bem. Cumprimentou Júlio César, caiu na água com o restante dos coleguinhas da escola e, por mais que tivesse encontrado mil possibilidades de tocar o terror, cumpriu a promessa de ser um bom garoto durante toda a festa.
Depois dos parabéns, comeu um pedaço de bolo. A mãe de Júlio impediu as brincadeiras dentro da água por pelo menos uma hora depois que o almoço foi servido. Então, a sugestão foi brincar pelo condomínio. Engataram um esconde-esconde. Cansaram com oito rodadas. E partiram para um Cabra-cega. Era a vez de Vini ser vendado.
Todos os seus colegas estavam na quadra. Pelas regras, tinham que ficar apenas naquele espaço. Vini seguia as risadas com os braços esticados, procurando pelas garotas mais falantes. Ana Maria nunca conseguia ficar calada. Era o alvo mais fácil.
De repente, esbarrou em alguma coisa. Em alguém. Antes que conseguisse pensar sobre o que tinha acontecido, sentiu a língua quente entrar na sua boca. Mexendo feito uma lagartixa. Aquilo era um beijo, mas nem de longe era bom. Empurrou a garota.
Ele tirou a venda com uma puxada só. Estava zangado. A menina caiu no chão. A menina da bicicleta. Ela estava rindo. Ele tinha vontade de chorar. Todos os seus amigos estavam ao seu redor. Ninguém ria. Conheciam Vini o suficiente para saber que não tinham permissão para brincar.
Vini olhou para ela com ódio no olhar. Tinham o mesmo tamanho. Ela estava estatelada no chão. Mas ria. Era a única a rir. Ele sentiu um desejo muito forte de começar a chutá-la. Adoraria descarregar parte da revolta que guardava em si naquela idiota de rabo de cavalo que se achava no direito de sobrepor a sua vontade à dos outros.
Mas lembrou-se da mãe. Respirou fundo. Percebeu que era mesmo o adorável garotinho da mamãe. Simplesmente virou de costas e saiu da quadra.


***

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Senhor Cabeça de Batata

Estou percebendo que as postagens que envolvem dicas com relação ao universo infantil estão fazendo certo sucesso. Isso é interessante, visto que boa parte dos meus leitores são adolescentes e alunos. Mas acho que meus colegas nessa fase de ter e criar filhos acabam curtindo o blog também.

A proposta para hoje é de mais uma atividade. Porém, um pouco diferente, uma vez que não é nada ao ar livre ou que faça sujeira. Na verdade, é algo que você pode simplesmente comprar numa loja. Hoje a atividade vem na figura de um brinquedo famosíssimo, imortalizado nas telas de cinema pelo filme Toy Story: o Senhor Cabeça de Batata. 

Primeiramente, queria contar como descobrimos a eficiência desse boneco que existe desde 1952. Na nossa viagem para São Paulo, passamos uns dias hospedados na casa dos queridos Marcelo e Cris. Eles têm filhos mais velhos que a Bia e, ao término da viagem, ela nos doou os brinquedos (super bem cuidados) que os meninos não curtiam mais. Gente, essa prática é maravilhosa. E deve ser passada adiante. 

Nos tempos em que vivemos, as crianças têm brinquedos demais para pouco espaço, para o tanto que efetivamente brincam com eles. Então, é importante ter essa rotatividade. Já falei que estímulo demais não é positivo, é estressante. 

Além disso, o que me admira nas crianças da Cris é o cuidado com as peças. Estão usadas, claro. Mas estão todas lá e inteiras. Esse tipo de ensinamento é tão valioso para a vida, vocês não acham? 

Para completar, de quebra, ainda tenho a oportunidade de ensinar à Bia que nem tudo que é divertido precisa ser novo, precisa ser de uma loja, precisa ser comprado. Até hoje, Bia brinca com sucata da mesma maneira que brinca com seus Fisher Price, não faz distinção. Pretendo que continue assim, mas sei que a publicidade para crianças de quatro anos é massiva e interfere nessa relação.

Bom, voltando ao Cabeça de Batata, ele estava entre os brinquedos doados. Assim que chegamos, tratei de arrumar o quarto da Bia com os brinquedos novos. O quarto de uma criança dá um post só para isso, mas arrumar brinquedos, em outras palavras, significa esconder alguns. As crianças pequenas têm uma memória frágil ainda. Se você esconde os brinquedos por um tempo, quando você os devolve, é como se eles os ganhassem novamente. A empolgação é contagiante. A economia também.

Bia já estava empolgada por rever seus brinquedos. Mas, o Cabeça de Batata... Nossa! Foi amor à primeira vista. O brinquedo veio numa malinha no formato de batata, desde que ele chegou em julho, tenho pesadelos com essa malinha abrindo e esparramando as peças no chão, fruto de tantas vezes que já juntei essas pecinhas. Ela simplesmente adora esse brinquedo. Mesmo tendo muita dificuldade para colocar as peças nos espaços corretos, ela não desiste. E, várias vezes, já a pegamos correndo pela casa tentando colocar em si mesma os óculos minúsculos da batata.

Eu pensava que esse brinquedo faria sucesso bem mais tarde. Talvez com três anos, quando ela pudesse mexer com as peças testando as diferentes possibilidades, mas que nada, a batata ganhou nossos corações com uma Bia de um ano e meio. Depois, fiquei pensando, a Bia está numa fase de reconhecimento de si mesma, de reconhecimento da sua individualidade, do seu corpo, um brinquedo que traga olhos, ouvidos, bocas e narizes só poderia encantar mesmo.

Eu recomendo demais esse clássico americano. Agora, para o natal, é uma boa dica de presente. É caro, mas nem tanto. O simples, com 18 peças, gira em torno de R$70,00. Para você que não sabe como o brinquedo é, trata-se de um corpo de batata de plástico que vem com uns furinhos. Aí, tem as pecinhas, com diferentes formatos, são olhinhos, chapéus, sapatos, bracinhos, bocas. As peças são pequenas, mas não dá para engolir. Deixo a Bia brincando com ele tranquilamente.

Acredito que seja mais do que possível fazer esse brinquedo em casa também. Com diferentes vegetais e carinhas engraçadas. Quando a Bia for mais velha e puder me ajudar desenhando as carinhas, certamente vou tentar. Mas, por enquanto, fica a dica de um brinquedo que é fenomenal.

Se eu puder me meter ainda mais na sua lista de presentes, não aconselho dar aos menores os Cabeça de Batata que são temáticos, tipo da Marvel Star Wars ou de princesas (Sim, existe a Senhora Cabeça de Batata). As crianças estão numa fase de descoberta e identificar olhos e bocas já é difícil, introduzir máscaras e capacetes acaba sendo um pouco demais. Invista nesses brinquedos para crianças um pouco mais velhas.

Por fim, uma dica que aprendi recentemente nessa minha vida de mãe: todo brinquedo com fim educativo deve ser mantido completo e numa caixa exclusiva. Por isso minha tarefa prometeica de juntar todas as vezes as pecinhas. Deus sabe o trabalho que dá! 

Mas, veja bem, um brinquedo desses tem um propósito, a criança brincante não o percebe, você sim. Se você deixar um quebra-cabeça espalhado e as peças se perderem, nunca mais você atingirá o objetivo de montar a cena. O que é frustrante para caramba, diga-se de passagem. Isso se aplica a qualquer brinquedo educativo. Blocos, brinquedos de sequenciação, brinquedos de categorização (como animais da fazenda). Todos eles devem ser guardados com todas as peças e em caixinhas/ambientes separados, ou seja, organizados. 

Observe que não é o caso de que a criança vá ignorar os brinquedos, ela vai brincar com eles mesmo misturados. O brinquedo apenas não atingirá o propósito a que se propõe. 

Vou parando que o post ficou grande demais!

Até...

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Até as princesas soltam pum

Minha dica de leitura hoje é de um livro superconhecido. Mas se por um acaso do acaso a sua criança não conhece, trate de adquirir porque vale muito a pena. Trata-se do maravilhoso Até as princesas soltam pum da editora Brinque-book.

Gente, esse é imperdível mesmo. Primeiro, porque ninguém resiste a uma piada de pum. Vamos assumir que uma boa piada de peido é para lá de divertido. Acho até que o pum é uma das prova de que Deus tem senso de humor. O barulhinho constrangedor deve ter sido desenhado pela divindade criadora com o claro objetivo de causar boas risadas.

Além disso, é um livro com valores feministas. Eu, particularmente, tenho um cuidado todo especial na escolha dos temas que levo para a minha filha, pois tenho consciência do papel deles na formação da minha pequena. E a ideia de que as mulheres não precisam seguir rígidos padrões de conduta é uma dos assuntos que considero mais do que relevantes na formação da Bia.

Se eu puder escolher, prefiro não criar uma princesa num mundo exclusivamente cor-de-rosa. O benefício da coroa é um fardo pesado demais para nossas meninas carregarem. A eterna delicadeza, gentileza, educação, submissão aos valores, o portar-se corretamente, o vestir-se adequadamente, esperar o príncipe encantado... Sei lá! Tudo isso me parece uma prisão de rosas, lilases e boas maneiras em que eu não pretendo trancafiar minha filha. 

A determinação de gênero em tão tenra infância não me seduz nem um pouquinho. Por mim, a Bia vai ser sereia, pirata, Tartaruga Ninja e, se ela quiser, até princesa. Mas, definitivamente, não estou criando uma princesinha. E esse livro tem tudo a ver com essas ideias.

Até as princesas soltam pum é a história de Laura, uma menina curiosa que fica encafifada com uma afirmação que ouviu no colégio de que a Cinderela  era uma peidona. O pai de Laura, então, pega um livro especial na estante, o livro secretíssimo da princesas. No capítulo que trata de problemas no trato gastro-intestinal das princesas, ficamos sabendo como os contos de fada deram uma disfarçada nas flatulências das princesas. Cinderela, por exemplo, teve seu peido camuflado no badalar do sinos à meia-noite. Já a Pequena Sereia, todas as vezes em que precisava soltar um, pulava no mar e botava a culpa das bolhinhas nas algas.

As crianças a partir de quatro anos vão simplesmente amar esse livro. Nessa altura, elas já conhecem muito bem os contos de fada e qualquer mudança na história as excita. E para completar, ainda tem conversa de pum. Que criança não gosta de piada de pum? Eu mesma, morro de rir todas as vezes com as adaptações que são muito bem contextualizadas.

É garantia de sucesso. 

Vou deixar para vocês o vídeo em que a Carol Levi conta a história do livro.

Beijos de luz!



sábado, 21 de novembro de 2015

Tentativa

Gente,

fiz uma loucura. Estou ansiosíssima. Faz tempo que acompanho um canal de Youtube sobre resenhas de livros. O Garota It. A Pam Gonçalves é uma gracinha. Gosto muito de como ela apresenta os livros que lê, tem uma paixão. 

É um canal famoso. Eu mandei uma cópia de Do Seu Lado para a caixa postal dela. Espero mesmo que ela leia e que faça uma resenha. Isso alavancaria minha popularidade. E, quem sabe, eu consiga os contatos para a publicação. 

Não custa sonhar, né?

Beijos de luz.


sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Atualizações


Oi gente,
os dias estão intensos, muito trabalho, fim de ano, vestibular, a galera com medinho da recuperação. As vidas dos amigos tomando rumo. Uns tendo filhos. Outros seguindo com suas carreiras. Cheiro de material humano no ar... Tanta coisa ainda por vir...

E eu com dificuldade de dar conta da parte de resenhas do blog. Não me leve a mal. Vou demorar um bocadinho para ler. Ando ocupada demais no trabalho: lendo. Chegar em casa e ler mais não faz bem nem para a mente nem para vista. O mês de novembro, certamente, terá mais resenhas de livros infantis do que de quaisquer outros...

Porém, nem tudo é notícia ruim. Terminei mês passado o meu quarto livro (Por onde Andei) e estranhei o fato de que minhas amigas (e ávidas leitoras) não me deram nenhum feedback. Mandei o livro, maior carinho do mundo, coração na mão e: nada. Sem uma palavrinha sequer. 

Nem Carolina, nem Mônica, nem Bruna, nem Gislania, nem Fabia, nem Mayara... Meu exército do incentivo me deixou na mão.

Estava nervosa sobre esse livro. Ele é diferente dos anteriores. Primeiro, não é em terceira pessoa. Os personagens se dividem na narração. São pontos de vista diferentes sobre as mesmas situações. Criações distintas. Diferentes histórias de vida que se confrontam. 

Foi para lá de difícil escrever assim. Entrar na mente deles...

Além disso, não estaremos mais na turma central. Vini, André, Malu e Mariana quase não são mencionados. E eu sei o quanto todo mundo está apegado a eles. Eu também estou. Então, tenho um desafio a mais, convencer vocês mais uma vez de que existem diferentes formas de amar. Que nem tudo é eterno. E que a perfeição tem várias cores. 

Carlos Eduardo e Bruna foram me convencendo disso muito lentamente. Um amor físico e mais adulto do que os anteriores. Eu não sabia se daria certo, mas fiquei satisfeita com o resultado. Porém, estava na dúvida. Às vezes, a ideia está na sua cabeça, mas não vai para o papel. Por isso, estava ansiosa pela resposta delas.

Bom, entre provas de doutorado, mestrado, concurso, viagem e TCC, ninguém me respondeu. Entendo completamente. Não se sintam obrigadas, meninas. A vida é dura mesmo!

Porém, confesso que foi me dando uma insegurança. Como se estivesse tão ruim que nenhuma delas, por educação, fosse me falar. Nem parece, né, mas nesse assunto sou assim: insegura. Escrever é ficar nu, gente. E eu só fico nua na frente de quem confio. Eu já estava preparada para os "não gostei".

Foi aí que uma aluna me salvou. Todos os anos, novas alunas leem meus livros. O que me dá muito orgulho, para dizer a verdade. Amo de paixão a carinha delas. Afinal, são o meu público. Minha chance de conversar com quem me entende. Com quem gosta dos meus personagens. Estou pensando até em uma mesa redonda. Só para falar de personagens... Qualquer dia, eu marco.

A Lívia, no entanto, nem parece ser dessas meninas que gostam de romances adolescentes, mas, pensando bem, ela deve ser do tipo que lê de tudo, inclusive os romances adolescentes. Ela leu num embalo só os três primeiros. E calhou de eu terminar o último assim que ela acabou a leitura do terceiro. Ela me pediu e mandei o quarto. Coração na mão e já meio decepcionada com minha escrita.

De repente, tô no shopping e ela me manda uma mensagem. Disse que adorou o livro. Que era o melhor até agora. E que se identificou com algumas coisas da história. Nossa! Foi um alívio.

Não tenho a intenção de fazer com que as histórias sejam cada vez melhores. Na minha cabeça, cada par vai surgindo, os contornos de suas peculiaridades vão tomando corpo e, de repente, preciso contar aquela história, mas não tenho em mente que a nova história tenha de ser melhor do que a anterior. O meu livro favorito, por exemplo, continua a ser o terceiro. Mesmo não sendo esse o objetivo, ainda assim, a opinião da Lívia encheu meu coração de alegria, porque Por Onde Andei não é meu favorito, mas é o de alguém. E é isso que me importa, que eu continue a escrever histórias que toquem as pessoas. Muito obrigada, Lívia!

Depois, a Bruna e a Eduarda (outras alunas) também leram a versão impressa. Também estão apaixonadas pelos personagens. E eu recobrei minha confiança em mim mesma. Obrigada, meninas.

Para completar, a Fabia, uma professora e leitora, colega de trabalho, trouxe uma carta de uma de suas alunas (de outra escola) para mim. A garota leu Do Seu Lado. Fiquei feliz com as palavras dessa garota, nem sei o nome dela, não assinou a carta. Primeiro, pelo carinho de escrever. Segundo, porque ela conta uma história muito parecida com a de Malu e conta que quer saber o que acontece depois. Eu espero mesmo que ela goste de tudo mais que eu escreva. Até do que acontecerá com a Malu...

Por fim, são tantas meninas lendo meus livros na escola que isso chamou a atenção do professor de Filosofia. Ele é um cara questionador e muito curioso. Acho que os alunos lendo por vontade própria deve ter mexido com sua curiosidade. Além de, é claro, o fato de saber que uma colega de trabalho escreve. Ele pediu para ler o livro. Eu disse que não faria o estilo dele. Mas emprestei.

Ele ainda não me devolveu. Espero sua resenha. Talvez fique com a falsa impressão de que sou eu naquelas páginas. Já expliquei para vocês que não é. É tudo coisa da minha cabeça mesmo. Isso, entretanto, não interessa, a meu ver, o positivo dessa história é que tem tanta gente lendo e comentando meus livros que sinto até um certo gostinho de como o sucesso deve ser.

Post longo demais. Blog é para isso mesmo. Para escrever o que vai pela cabeça. E hoje eu precisava dizer o que estava sentindo e dizer o quanto estou agradecida por tudo quanto vem acontecendo...

Valeu!

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Pedidos

Hoje o post é, ao mesmo tempo, um pedido e um convite.

Primeiramente, quero convidar a todas (todos, se for o caso) as minhas alunas e amigas a se inscreverem no blog. Dessa forma, vocês acompanharão as atualizações sem precisar de aviso meu no facebook. E, além disso, eu posso saber quem me acompanha pelos rostinhos de vocês aí do lado. Gente, é um incentivo grande. Afinal, é bem chato escrever como se estivesse falando com ninguém. :(

Sei que toma um tempinho, precisa do e-mail e de uma foto... Mas, vá lá! É uma delícia saber que vocês estão aí.

Se você não sabe onde que se inscreve é nessa coluninha do seu lado direito (no celular não tem). Gente com a gente. Basta clicar em: participar deste site e preencher um formulário. Se você já tiver uma conta google dá até para aproveitar os dados. Simples.

Já a outra coisa é um pouquinho mais complicada. E é um pedido mesmo. Não tenho problemas em emprestar os meus livros. Não tenho a ilusão de ficar rica com isso. Mas tenho o sonho de escrever profissionalmente. Tento correr atrás de várias formas. E, nossa, é bem difícil. Falar do meu trabalho não deixa de ser falar de mim mesma e eu nunca me senti a vontade para fazer isso. 

Conheço bem o gênero infanto-juvenil e sei que o que escrevo é bom o suficiente para ser publicado, mas como conseguir que as portas se abram. Eu não conheço ninguém do mercado editorial. Tampouco disponho de dinheiro para lançar meus livros por conta própria. Então, preciso ser vista.

A maneira que encontrei de chamar um pouco de atenção foi publicar meus livros em um site o clube de autores. Nele é possível comprar livros por demanda. O que deixa cada exemplar relativamente caro, mas possível de ser pago. Entretanto, como destacar meu trabalho dentre tantos? 

Muitos dos livros deste site são amadores. O meu também é, claro, mas de uma maneira diferente. Não gosto das capas e o meu material não passou por revisores. Já alguns desses livros não são bons em termos de enredo e até de grafia das palavras. Por tudo isso, é bem difícil comprar aleatoriamente pelo site. E é aí que vocês entram.

Mesmo com todas as dificuldades, já vendi exemplares do meu primeiro livro para pessoas aleatórias. E uma delas qualificou meu trabalho com cinco estrelas. Isso ajuda na visibilidade da obra.

Então, amigas, se vocês puderem entrar no site e qualificar meu livro, agradeço. Tem uma coluna do seu lado esquerdo na tela. Ela tem links que levam diretamente para os livros. Vocês vão ter que fazer o cadastro no site para poder opinar. E, se a paciência for grande, quem puder fazer comentários sobre as histórias, eu agradeço por demais. 

Assim, quando uma pessoa que não me conhece vir as palavras de vocês, talvez ela se interesse pela obra e compre.

Valeu!

Beijos de Luz!


quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Banho de Chuva



Esse calor infernal que vem aqui no Ceará me fazendo me trouxe uma ideia, uma saudade para ser mais coerente: chuva.

Aqui na minha região, chove no começo do ano (quando chove). Por conta dessa raridade, cearense adora chuva. Nós achamos um dia cinza a coisa mais linda do mundo. E (ainda) é comum ver crianças no meio da rua pulando em poça e aproveitando as bicas das casas quando resolve cair um toró (chuvarada).

Entretanto, as condições da vida moderna têm mudado esse quadro. Violência, poluição, doenças, tudo isso virou motivo para não cair na brincadeira. Lamentável!

Discutir a importância das brincadeiras ao ar livre parece que virou assunto ultrapassado. Como se o ambiente fechado e a tecnologia dessem conta de suprir todas as necessidades do desenvolvimento infantil. Temos um cérebro que se desenvolveu a partir de um processo evolutivo, as crianças precisam vivenciar de alguma forma esse processo. O fato de hoje o homem nascer cercado de tecnologia não os exclui dessa condição. Ou seja, é preciso sentir, cheirar, cair, colocar na boca, pisar em meleca, para dar sentido ao que existe no mundo.

Mesmo que isso acarrete uma febre, uma verminose ou uma dor de ouvido depois.

Nesse sentido, a tecnologia está a nosso favor. Não contra. Se fica doente, cuidado, remédio e vacina. Só não pode deixar de viver coisas importantes da vida.

Vejo muitos pais apreensivos. Cheios de zelo. "As doenças estão mais fortes", "Ele não pode ficar doente", "Não dar vez ao azar". Sei lá, às vezes me sinto meio peixe fora d'água. Doença, por mais que seja sofrido (sei que é), faz parte da infância. Ser mãe também é ensinar a lidar com a dor. Penso assim.

Claro que não sou irresponsável. Nesse dia do banho de chuva, a Bia estava ótima de saúde. Ela sempre se alimentou bem, o que inclui uma vasta variedade de frutas na sua dieta, o que influi significativamente na questão dos resfriados. Nós ficamos meia horinha brincando na água e depois foi banho quente, almoço e roupinha confortável. 

Além disso, essa não era a primeira chuva, nem do dia, nem do mês, nem do ano. Infelizmente, o ar anda meio sujo mesmo e temos que ter cuidado com a poluição. Então, deixei que as chuvas anteriores limpassem um pouco o ambiente para poder brincar com ela.

Para completar, estamos no nosso condomínio. Lugar razoavelmente limpo e protegido da violência e de raios. 

Enfim, analisando o ambiente e as condições de segurança, é uma atividade maravilhosa de ser feita. Foi uma manhã bem divertida. A Bia explorou. Pisou nas poças. Sentiu as gotinhas caindo no rosto. Uma delícia! 

A quadra chuvosa se aproxima. Vamos ver se esse ano vai dar certo mais banho de chuva!