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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Menina Bonita do Laço de Fita


Ainda sobre a questão da representatividade, hoje trago uma dica de livro infantil. Talvez o livro sobre consciência negra para crianças mais conhecido que temos no Brasil: Menina Bonita do Laço de Fita.

Nesse livro de Ana Maria Machado, um coelhinho branco e uma menina pretinha conversam sobre a origem da cor negra da menina, pois o coelho quer ter uma filha da mesma cor da menina. Para tanto, ele se pinta de preto, toma café, come jabuticaba, enfim, mete-se em várias situações até perceber que a cor da pele é uma questão genética.

A intenção da autora é clara como água, evidenciar a beleza negra, apesar de alguns clichês como "olhos de azeitona preta" e "pele lustrosa como a pantera na chuva" que remetem a uma ancestralidade africana não partilhada pelas crianças, o que é típico de uma autora branca tentando dar voz a uma beleza negra que ela mesma não reconhece nos seus detalhes. Mesmo assim, é válido apresentar uma protagonista feliz com sua autoestima e que se sente bonita com suas tranças.

Acredito que seja um belo livro para trabalhar em sala de aula. Para ler para sua criança em casa. Eu ainda não o tenho. Só o encontrei caro. Acho que é adotado em várias escolas e isso sobe demais o preço do livro no Brasil. Entretanto, é um livro ameno sobre a questão do negro e sequer trata sobre o racismo. Outro fator que o leva para a sala de aula, pois trata do assunto politicamente correto, mas não toca na ferida. 

Como assim? É triste dizer, gente, mas o racismo está entranhado em nós em vários pontos. Inclusive nas escolas. Inclusive nas professoras de pré-escola. Não acho que levantar essa bandeira sem ter sentido na pele essa condição é de todo pertinente. Eu seria mais uma autora branca tentando dar voz a um sentimento ao qual sou empática, mas que não compreendo de todo. Porém, é preciso dizer pelo menos que as crianças negras lidam com o racismo desde muito cedo. Triste dizer quantos casos já escutei que vão de comentários sobre o cabelo à capacidade intelectual da criança. 

A valorização da beleza negra é apenas uma das vertentes a ser assumida na luta contra o preconceito. Falar sobre racismo com crianças pequenas é importante também. Que ele existe. Que é errado. E que as pessoas erram. Mesmo as professoras em quem tanto os pequeninos confiam.

Mas o que diriam os pais de um livro sobre racismo na pré-escola? Afinal, repetimos o mantra de que no Brasil não existe distinção de cor, somente de classe social. Mas como lidar com a palavra negro quando tanta gente acha que é melhor (lê-se aqui "menos ofensivo") falar moreno? Como valorizar uma criança negra quando os coleguinhas entregam a ele um lápis "cor-de-pele" rosa? Estaremos preparados para falar sobre isso? Ou simplesmente para aceitar essa nossa ferida aberta? Ou nos comportaríamos como superiores ao fato e nos posicionaríamos como contrários ao discurso de assistencialismo de esquerda (seja lá o que isso signifique nesse contexto) que coitadiza as pessoas?

Passeando pela internet na pesquisa sobre o tema, encontrei esse blog Pretas Simoa, que traz uma lista interessante de livros sobre consciência negra para crianças. Eu me interessei pelo Minha mãe é negra sim! de Patrícia Santana, vou comprá-lo. É a história de um menino que sofre preconceito através da professora que sugere que ele pinte sua família negra de amarela que é uma cor mais bonita. Isso o leva a refletir sobre preconceito e a descobrir formas de lidar com a frustração e tristeza. 

Não li o livro ainda, mas a temática é muito mais incisiva. Acho que é uma boa continuação para a abordagem trazida em Menina Bonita do Laço de Fita. Em todo caso, mesmo que você enquanto pai não se sinta preparado para tratar especificamente da questão racial com seu filho, o livro de Ana Maria Machado vale pela delicadeza e pela criatividade. Seu filho, a depender da idade, provavelmente não vai nem perceber que é uma história sobre negros, mas a existência da protagonista negra já vai fazer uma pequena diferença na maneira como ele compreende o mundo.


terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Representatividade

Nessa semana, eu estava passeando com a Bia por uma loja de brinquedos, quando nos deparamos com uma prateleira de bonecas. Eram bonequinhas bebê de uns doze centímetros, algumas loiras e outras negras. Uma boneca negra me chamou a atenção por causa da roupa e eu a mostrei para Bia. Tomei um susto com a reação dela. Encolheu a mão numa reação típica de medo. Quis sair de perto da boneca. E não houve quem fizesse ela tocar no brinquedo.

Se fosse com outra pessoa, talvez eu julgasse isso como racismo, mas a questão é que esse não é um assunto tratado na minha casa. Nós não falamos sobre negros. Falamos sobre pessoas. Aqui não tem piadinha. Não tem empregada para levar a culpa. Nós sequer convivemos com negros no nosso círculo mais íntimo para gerar comentários desnecessários (aqui no Ceará isso não é difícil, temos poucos negros). Enfim, a questão da cor da pele das pessoas não é assunto em pauta nesta residência. E eu me dei conta de que é justamente esse o problema.

Eu estava preparada para lidar com a questão da representatividade um dia. Estava preparada para conversar sobre racismo. Sobre a beleza de ser diferente. Só não sabia que seria tão cedo. E que a mídia, de certa forma, afetaria minha filha tão cedo. A Bia tem apenas um ano e nove meses, ela está dando os primeiros passos na comunicação humana. O quanto será que ela já absorveu dessa nossa cultura excludente que ignora a existência do negro? Foi o que eu me perguntei.

Cheguei à conclusão que não apresentar é também uma forma de excluir. No universo que ela conhece de Barbies e bebês loiros, não mostrar a diferença da cor, não discutir a diferença, não deixar evidente a existência das possibilidades é também um erro. Enfim, o contraste é importante na formação de conceitos. E, achando que essa aquisição viria de maneira natural, acabei deixando que ela levasse um choque de realidade.

Não me leve a mal. A Bia tem bonecas negras, mas ela ainda não brinca muito com bonecas, então, algumas ainda estão nas caixas ou nas prateleiras e eu nunca chameia a sua atenção para o assunto. Depois dessa história, essa bonequinha negra aí saiu do baú. A coisa é séria. Do meu ponto de vista, o medo da Bia advém do fato de ela não conhecer pessoas negras, não ver na televisão desenhos de pessoas negras, não ver brinquedos com traços negros. E o estranhamento causa o medo.

Nossa estratégia para enfrentar a ojeriza tem sido brincar com as duas bonecas. Descrever as diferenças. Mostrar as semelhanças. E banalizar a cor da pele, mostrando que existem muitas variações. Bia ainda se mostra arredia, mas já se aproxima da boneca negra e é capaz de alguma interação.

Foi chocante para mim perceber que minha filha tem medo de bonecas negras. Mas aí me dei conta de como devem se sentir as meninas negras num universo onde elas (aparentemente) não existem. Onde não há ideais de beleza negra. Onde o negro representado é o subalterno. O excluído. O pobre. Como construir uma autoestima nesse contexto?

Também me dei conta de que minha função de mãe passa por esse lado da educação também. De mostrar o que ninguém quer mostrar. A diferença. Afinal, o suposto padrão está aí todo dia para ser visto e copiado. Pois não estamos falando de apresentar apenas o negro às crianças. Esse processo de aproximação com a diferença vai precisar acontecer com o cadeirante, com a pessoa com Down, com as religiões com a homossexualidade, enfim, com o universo de possibilidades que a condição humana apresenta. Entendi que, nesse momento, minha filha precisa aprender a perceber a diferença e, no passo seguinte, exercer a tolerância. E quem tem essa obrigação de ensinar somos nós, sua família, pois a sociedade continua apenas repetindo padrões excludentes e tantas vezes imperceptíveis que chegam até nós das mais variadas formas e se entranham na nossa vida sem que sequer tenhamos consciência disso.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Pré-carnaval infantil - Casa José de Alencar


Hoje a dica é de um dos nossos programas favoritos dessa época do ano: o pré-carnaval infantil. Fortaleza, nos últimos anos, vem aprendendo a aproveitar melhor os espaços públicos. Movimento que eu apoio demais. E essa iniciativa passa também pelo carnaval de rua. De bairro. Os blocos temáticos. Dentro dessa perspectiva, existe uma revitalização do carnaval infantil. Aquele com confete e serpentina e as crianças fantasiadas dançando musiquinhas de criança e correndo livres por espaços abertos. 
A Casa José de Alencar e o Passeio Público são dois dos lugares onde esse pré-carnaval infantil acontece. E é um sucesso! Adoramos ir com a Bia. Nunca fomos ao do Passeio Público, mas na Casa José de Alencar nós já fomos várias vezes. Se você está na dúvida de ir, vou explicar como funciona.

Para começo de conversa, o evento é gratuito e só por isso já vale a tentativa. Trata-se de uma banda (Grupo Adoleta) tocando sucessos de carnaval (marchinhas antigas) e músicas infantis. Nada de duplo sentido e rebolação. O som é razoável para o espaço aberto. Os bebês pequenos, dependendo do lugar escolhido para ficar, não se sentirão incomodados. 

Os pais colocam as fantasias nas crianças que dançam, correm, sobem nas árvores, fazem amizades ou apenas param para o lanche e desfrutar a natureza. A maioria dos grupos vai bem preparada, com toalha para estender no chão perto de uma sombra de árvore frondosa, água, lanche, algum brinquedo e disposição para correr atrás dos pequenos.

O lugar fica cheio e pode ser difícil estacionar. Mas dentro, o espaço é amplo e sempre dá para arranjar um lugarzinho confortável. Esse ano, o pátio da Casa está sendo reformado. Então, o evento inteiro está acontecendo no gramado. Porém, a estrutura continua boa. A organização colocou pequenos toldos e a sombra é farta. A criançada aproveita muito.

É possível comprar confetes, serpentinas, apitos, bolha de sabão, água e outros víveres. Mas, ainda bem, aquela espuminha maldita típica do carnaval é proibida por conta das alergias. Ou seja, é tudo muito civilizado e proveitoso.

O pré-carnaval infantil acontecerá em todos os domingos de janeiro. Bia já separou as suas fantasias. A festinha começa por volta das nove da manhã e vai até o meio-dia. Depois, alguns pais almoçam no restaurante regional que a Casa oferece. Nós, geralmente, almoçamos em casa mesmo já que é pertinho. Pois, com tanta farra, basta um banho relaxante e um bom prato para a pequena dormir o sono dos justos tarde afora. Ou seja, barato e cumpre muito bem o objetivo.

Indico muito. Tanto pelo programa, quanto porque é uma excelente oportunidade de conhecer outros pais com filhos pequenos. Essa é uma das atividades que demonstra que Fortaleza não é uma cidade tão grande assim. É impossível ir e não encontrar conhecidos. As crianças brincam e a gente conversa num total clima de segurança. Dessa vez, tivemos o prazer de encontrar a Soraya, o João e a pequena Luna. Luna e Bia dividiram um chá de faz-de-conta com bolacha maisena. E quem sabe daí não surge uma amizade, não é não?

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Resposta

Antes que esse blog se torne exclusivamente sobre maternidade, estou trazendo informações sobre o quinto livro para minhas ávidas leitoras.

1) O nome provisório é Resposta. Música de Nando Reis escrita para o Skank.

2) Nós acompanharemos dois casais simultaneamente. 

3) Até agora, o livro já tem 100 páginas escritas. Receio que chegaremos bem perto de duzentas.

4) Será um livro sobre fora. Um dos casais principais não funcionará. E eu achei legal tratar sobre isso.

5) Depois desse livro, a série Nando só terá mais um.

6) Vou tratar de um dos meus assuntos favoritos, mitologia.

7) Algo sugerido na sessão Relicário vai acontecer.

8) Um dos personagens só falará em espanhol. Vou precisar da ajuda de um amigo para isso.

9) Os rapazes estão cada vez mais encantadores. Vai ser difícil escolher o melhor.

10) Alguém será pedido em casamento.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Birra: 10 coisas que NÃO devemos fazer com as crianças de dois anos - Continuação

1) Permitir que eles se responsabilizem pela rotina.
2) Ceder depois de comprar a batalha.
3) Gritar.
4) Bater.
5) Aceitar birra.
6) Culpar por comportamento.
7) Evitar experiências.
8) Esquecer de brincar.
9) Negligenciar educação.
10) Fazer por eles o que podem fazer sozinhos.

Oi, gente.
Ontem escrevi um texto enorme sobre a minha relação com a birra. Falei sobre alguns tópicos dessa lista aí de cima. Hoje, tenho a intenção de continuar com as minhas observações. 

No texto de ontem, falei de momentos que tornam difícil a relação pai e filho com as crianças pequenas. A parte que exige mais da nossa paciência, da nossa maturidade e da nossa disciplina. A birra desgasta. A birra consome a nossa energia e deve ser combatida com esmero. Mas nem tudo é difícil quando se trata de estar com crianças pequenas. Vou te dar pelo menos um motivo para ser mais fácil. A memória delas é curta e dificilmente guardam rancor. Ou seja, você sempre pode tentar novamente. E não, eles não vão ficar com raiva de você para sempre. Uma hora a raiva passa. Por isso, pode tratar de ser firme. As crianças esperam isso de você.

Hoje quero tratar da parte mais divertida de acompanhar uma criança: reviver a experiência da infância. Já falei sobre isso mais de uma vez aqui no blog, os pais da atualidade estão mais preocupados com os perigos do que com viver. As crianças estão presas em apartamentos, não tomam chuva, não pisam na areia, não brincam com cachorros. O universo real delas se reduziu a espaços mínimos. Quarto e sala, porque até a cozinha é perigosa. Em compensação, a internet está aberta para essas crianças desde a mais tenra infância. Eu, particularmente, prefiro um braço quebrado depois de uma queda da árvore do que o tipo de perigo que se pode encontrar na internet.

Ah, Priscila, mas crianças de dois anos não entram na internet! Será? 

Minha filha adora o Bita, Palavra Cantada, Timmy, entre outros. Sou dessas que usam a telinha para entretê-la quando preciso jantar, ir no banheiro, ou numa situação de estresse. Podem me crucificar. Já deixei de me culpar por isso. Entretanto, sempre que possível (e o possível é com frequência durante a semana e sempre no final de semana), andamos na areia, tomamos banho de piscina, brincamos juntos, contamos histórias, lemos livros, vamos a parquinhos, passeamos em lugares novos e desconhecidos. Enfim, existe vida, muita vida, além da telinha do celular. E é esse o ponto, o mundo moderno parece ter apenas a opção da telinha. E essas crianças vão crescer assim com tão poucas experiências físicas e reais. As consequências prometem ser funestas.

A criança precisa viver. Precisa cair. Precisar levar uma dentada e um empurrão do coleguinha. Precisa levar um passa-fora de um cachorro. Não é fácil ver nada disso acontecendo, mas é necessário. Não conseguiremos colocar a criança em uma redoma e protegê-la de tudo. E, se for para acontecer, que seja na sua frente. Que seja com você por perto para acalentar. E o que isso tem a ver com birra? Tudo.

Crianças superprotegidas ficam mais vezes doentes, pois não criam resistência. Crianças superprotegidas caem e se machucam mais, pois não se desenvolvem corretamente. Crianças superprotegidas desconsideram o não. Afinal, se recebem não para tudo, para o que é perigoso e para o que não é (do ponto de vista delas), então não há sentido para o não e elas desobedecem. Sempre. Por isso, diga o máximo de sim que você conseguir. Não para tudo, é claro. Mas para o que der. Assim, ele vai confiar quando você disser um não. Já que não é não mesmo.

"Mas meu filho só quer fazer o que não pode". Certamente que sim. Se você deixar a cargo dele, a exploração será completa. Incluindo o que não pode. Mas como lidar com esse ímpeto explorador? Planejamento. As crianças de dois anos se encantam com todas as atividades que você apresentar. Porém, nem todas as atividades as deixam concentradas. E, mesmo concentradas, o tempo de concentração é curto. Na melhor das hipóteses, 15 a 20 minutos. Mais do que isso é sorte.

Cabe a você organizar essa relação. Não adianta só deixar um brinquedo e esperar que ela brinque. Principalmente, não adianta dar a criança um brinquedo que brinca sozinho, como carrinhos automáticos ou bonecos que fazem de tudo. Isso é tedioso! Até um adulto se cansa fácil. Use brinquedo de construir, de inventar, de montar, de cuidar, de correr e de pular, aqueles que despertam sentidos ou que desenvolvem a inteligência. As crianças adoram imitar os adultos, que tal panelinhas, uma pia para lavar louça ou uma vassoura. E sempre participe com elas. Sempre que a atenção diminuir, sugira outra coisa. Exemplo, nos brinquedos de montar, faça uma pilha alta, faça uma cidade, separe as peças pela cor, forme animais. Sim, é preciso criatividade e preparação.

Aqui em casa, além dos brinquedos, sempre faço as atividades que vocês veem no blog. São tiradas da internet ou da infância. Sempre que vejo algo legal, começo a me preparar e aguardo ansiosa pelo dia de apresentar a atividade à Bia. Tenho vários livros de artesanato também e aos poucos vou fazendo as coisas com ela. O que estou querendo dizer é: não se esqueça de brincar. Brincar é maravilhoso. Tanto porque a infância é uma fase única, quanto porque o brincar é de suma importância para o desenvolvimento humano.

Veja bem, criança tem muita energia. Você pode canalizar essa energia para algo positivo e que você planejou ou deixar que elas descubram a melhor maneira de gastar, o que certamente envolverá abrir armários, subir em móveis e explorar tomadas.

Outra forma de usar essa energia a seu favor é a educação. Sou construtivista por convicção. Acho que para subir uma escada, você precisa pisar em um degrau de cada vez. Você quer que seu filho esteja seguro dentro de uma piscina, então o ensine a nadar. Quer que ele fique seguro dentro de uma cozinha, ensine-o tudo sobre fornos e facas. Claro que ninguém começa pedindo para o bebê cortar uma picanha, mas mostrar as partes da casa pode ser um começo. Abrir a geladeira e deixar ver o que tem dentro. Tocar em objetos gelados e quentes. Sentir no rosto o vapor da panela que ferve no fogão. Ver o fogo. Brincar com gelo. Tudo isso desmistifica a cozinha como lugar proibido e ensina mais que o mero não. Mas exige cuidado, disciplina e planejamento.

Estou ainda me planejando para fazer uma receita com a Bia. Biscoitos provavelmente. Ainda não decidi sobre o lugar. Aqui em casa as bancadas são muito altas e não tenho um banquinho adequado para ela alcançar ainda. Mas vai sair qualquer hora dessas. Quero muito que Bia tenha intimidade com a cozinha, pois já vi casos de crianças que sequer reconhecem as frutas simples, que nunca viram um abridor de lata e, pior do que isso, conheço adultos que não cozinham uma batata. Vida prática, meu povo. Vida prática.

Não podemos negligenciar a educação de nossas crianças por causa do medo, da falta de tempo, do cansaço e da preguiça. Sei bem do que estou falando e do quanto é difícil desligar a santa TV e ir ler o mesmo livro pela milionésima vez, já que ela está pedindo. Ir limpar a bagunça que uma massinha faz. Ou lavar o guache da pintura que caiu na sala depois de botar a criaturinha para dormir. Sou a favor do revezamento de pais, um faz o outro limpa, um distrai e o outro planeja, um lê o outro coloca as coisas na mochila de amanhã. Além disso, a rotina ajuda muito. Pois tem hora para começar, para terminar e para dormir. Sem falar, que você pode e deve unir o útil ao agradável, fazendo de tarefas brincadeiras.

Você pode pedir ajudar para lavar a louça. A Bia adora, ela brinca com uma esponja e sabão do meu lado enquanto lavo a louça. Juntar os bloquinhos pode virar uma competição. arrumar a bolsa pode ser um jogo da memória com perguntas como "O que ainda está faltando?". Enfim, tudo pode virar jogo e brincadeira. Você precisa ter criatividade e confiar na capacidade dos seus filhos. Eu peco muito nisso ainda. Nós nos acostumamos a fazer tudo por eles e é raro percebermos que estão se tornando independentes. Continuamos a fazer tudo. E isso é um erro. Primeiro porque a criança passa a nos ver como uma serviçal a sua disposição para tudo e sempre, o que é péssimo.

Sem falar que, essa idade é ótima para administrar bons hábitos. A criança se sente o máximo quando consegue fazer algo sozinha. É ótimo para autoestima. Quem já fez uma baliza sabe do que estou falando. Então, devemos incentivar a sua independência sempre. Dentro das suas capacidades, é claro. Mesmo que demore. Tenho pedido bastante coisa para Bia e ela vem me surpreendendo muito. Desde tirar a fralda (o que exige demais de sua coordenação motora fina, então é preciso dar uma esperada pelo tempo dela) até jogar coisas no lixo e guardar brinquedos. Isso diminui o estresse e as tarefas entram na rotina sem problemas o que ajuda a manter a casa em ordem, além de ensinar a criança que ela também deve contribuir com o ambiente. Estou satisfeita. Mas ainda estou trabalhando esse aspecto em mim.

Estou satisfeita também com o tamanho do post. Tomara que tenham gostado. 


terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Birra: 10 coisas que NÃO devemos fazer com as crianças de dois anos

1) Permitir que eles se responsabilizem pela rotina.
2) Ceder depois de comprar a batalha.
3) Gritar.
4) Bater.
5) Aceitar birra.
6) Culpar por comportamento.
7) Evitar experiências.
8) Esquecer de brincar.
9) Negligenciar educação.
10) Fazer por eles o que podem fazer sozinhos.

Amigos, não sou especialista, sou mãe. O post de hoje é só um produto da minha experiência e leitura. Mas já começo avisando que a lista serve para mim mesma também. Muitos desses tópicos são diretrizes que tento seguir na maioria das vezes. Mas, como todos nós, a rotina e o cansaço do dia também me vencem de vez em quando.

Aos dois anos, as crianças começam a ter consciência de que elas não são conectadas a pai e mãe, que têm vontade própria. E elas vão testar os limites. O quanto podem decidir sozinhas. O quão longe podem ir. Vão mesmo. E isso é bem mais pensamento científico puro do que um complô para acabar com seu final de semana. Então, prepare-se para a birra.

A primeira coisa para aprender a lidar com a birra é não levar para o pessoal. A criança não está fazendo isso para lhe aborrecer. Ela precisa de você para aprender a lidar com uma situação típica da condição humana: a frustração. Se você grita, bate, berra, foge, é assim que ela vai reagir também, já que você é o exemplo. Respirar fundo e ter consciência do que se passa pela cabeça do pequeno são as melhores armas para lidar com a situação, além de doses frequentes de muita paciência.

Ataques de birra são inevitáveis nessa idade. Se a criança não faz birra, isso é sinal de alerta para problemas neurológicos. Entretanto, a disciplina e a técnica ajudam a diminuir a frequência dos ataques. Vamos discutir o motivo e o valor de alguns tópicos acima.

A primeira questão que eu trouxe é a rotina. Rotina é tudo. Deve ser aplicada a partir dos primeiros dias de vida do bebê. Embora, caso você não a tenha e seu filho já conte três anos, toda hora é hora para começar. E o que é uma rotina? Fazer todo dia a mesma coisa, na mesma sequência, mais ou menos na mesma hora. Haja disciplina. Vou logo avisando, nem sempre se consegue, mas deve ser a sua prioridade. Vamos ao porquê.

Crianças pequenas não têm controle sobre nada. Não conhecem o mundo. Tudo é absurdamente novo e inesperado. É uma total ausência de controle sobre si mesmo. Isso é desesperador (se coloque nessa situação, hoje você pode ser abduzido por um alien, daqui a vinte minutos podem te lançar num foguete rumo ao sol, dali a pouco te apresentam ao bicho-papão que você nem sabia que existia). A rotina dá uma certa impressão de controle, pois a criança sabe o que vem depois: toma banho, escova os dentes, lê história e dorme. Todo dia é assim. Sem surpresas.

Não existe isso de "Ele não quis dormir, então vamos brincar um pouco para cansá-lo". Totalmente ineficiente. Você está ensinando que "se eu insistir ou chorar, vou brincar mais". E tome choro da próxima vez. Isso é deixar a criança ser responsável pela rotina. Ela decide se dorme, ela decide se come, ela decide se vai para a escola. Nada disso. Você decide. A criança acompanha. "Mas ele chora". Se ele chora, você escuta. Você acalenta. Mas você não dá opções. Assuma seu papel de adulto. É o que ele espera de você. Aliás, ele precisa que você seja um adulto equilibrado para aprender a ser um e para ter a liberdade de ser a criança. Se é hora de dormir, é hora de dormir. Melhor três dias seguidos de choro e um sono tranquilo do que choro toda hora para resolver tudo. Porque aí sim a paciência acaba se esgotando.

Por isso, escolha suas batalhas. Enfrentar uma birra exige maturidade. Você precisa saber exatamente o que está enfrentando. Já disse, não é pessoal. Mantenha a calma. Acontece com todas as crianças. Coloque sua criança num lugar seguro (As crianças são espertas e sabem que nos exasperamos com sua segurança, vão se debater e jogar a cabeça, pois sabem que agiremos mais rápido se assim o fizerem). Mostre-se empática, diga que lamenta, que entende a frustração, mas que não, ele não vai poder fazer aquilo (ou terá de fazer, se for o caso). O choro vai aumentar de volume. Diga que está ali, mas que não vai ceder. E ignore, não olhe nos olhos e não barganhe. Nada de "meu amor, se acalme, você quer assim, quer assado, não chore, por favor". Em algum tempo, a criança vai diminuir o choro, afinal, não está sendo eficiente e ela não teve sua atenção. Você aproveita e explica novamente o que quer que ela faça. Ela vai aumentar o volume novamente. Repita o processo até ela ceder. 

O máximo que já passei com a Bia nesse processo foi uma hora e meia. Acho válido. Vale cada segundinho de berro pela resposta que ela me dá depois. Conto três situações assim até hoje. E todas compensaram. 

Não sou a favor de deixar a criança sozinha durante o processo, acho que dá uma sensação terrível de abandono. Eu fico lá. Eventualmente dou um abraço para ela saber que estou com ela, que estou ajudando a lidar com a frustração, mas não cedo. Vai ser do jeito que eu disse que seria. Entretanto, não dá para fazer isso em qualquer lugar, vocês concordam comigo? Imagine o escarcéu de usar essa técnica no meio do supermercado. Quantos olhares te julgando. Por isso, escolha suas batalhas. Se vai entrar, é para ganhar. Nada de uma hora de técnica para deixar a criança fazer o que quiser depois. Se acha que vai ceder, deixe logo. Fica parecendo que você permitiu e não que ela venceu a disputa. Ou seja, se você está com enxaqueca e a criança quer ver televisão em uma hora que você não permite, é melhor mandar um "hoje pode" do que entrar numa batalha que claramente você vai perder.

Ou mais, se você está em um lugar inóspito e a criança começa um ataque de birra, às vezes é melhor tirar a criança do ambiente sem muitas explicações do que perder a disputa por vergonha sua e seu filho entender que as regras variam de lugar para lugar. 

Tive um momento assim nesse fim de semana, por isso estou escrevendo o post. Bia teve um ataque de birra na hora de jantar na casa de praia onde eu estava sozinha com ela e mais dois casais de amigos sem filhos. Levei ela para o quarto e foi uma hora de choro. Eles devem ter ficado chocados, tadinhos. Mas a eficiência da disciplina convenceu a todos no restante dos dias, pois depois dali, a menina foi um doce. Até me perguntaram o que eu tinha feito. Expliquei.

Obviamente, eles só ouviram o choro dela, nem ouviram minha voz. Falei baixo e pacientemente. Foi difícil como um todo. Pensei em desistir várias vezes. Geralmente eu conto com o Raphael para revezar essa tarefa, mas eu estava só. Cantei um pouco. A música tem esse poder. Em toda escolinha infantil vão te ensinar a cantar o tempo todo. Quando eu trabalhava numa escolinha, pensava que era para as crianças. E é também. Mas ajuda a manter o foco em outra coisa. Quando o clima está tenso, você canta e as crianças (e você) acompanham a canção e perdem um pouquinho o foco da discussão, abrindo a possibilidade do diálogo.

Se você gritar, a criança grita (Não vamos nem entrar no mérito do bater). Somos exemplos o tempo inteiro. Michael Tomasello, que estuda Antropologia Evolutiva, chegou à conclusão, estudando a semelhança entre homens e chipanzés, que o que nos diferencia evolutivamente é que os chipanzés aprendem prioritariamente por tentativa e erro, enquanto os humanos aprendem prioritariamente por imitação. Isso explica que o um chipanzé de dois anos se vira sozinho na mata, já um bebê de dois anos é totalmente dependente, esse é o custo da nossa inteligência. 

Olha o tamanho da nossa responsabilidade! Aos dois anos, o cérebro humano do bebê está adaptado evolutivamente para imitar tudo que nós (adultos) fazemos. Se grito de alegria, ele grita. Se mostro raiva diante da frustração, ele também mostra. Se como verduras com prazer, ele também come. Se eu leio, ele quer ler. Então, queridos, ao lidar com a birra, simule uma reação, mesmo que não seja a sua. Aja com calma, respire fundo, controle o tom de voz e diga como está se sentindo e que compreende a frustração dele. Vale até pedir para sair por uns minutos, caso a paciência tenha se esgotado. Essas são as estratégias que você está ensinando seu filho a ter ao lidar com a frustração. Talvez, em algum momento, você precise de outra pessoa para ajudar. Dois adultos é sempre melhor do que um, se um cansa o outro assume, contanto que o discurso seja uníssono.

Portanto, colegas, ouso dizer que seu filho não é especial. Ele não é mais ativo do que o dos outros, mais esperto, mais malandro, mais mal-educado, mais traquina, mais inteligente. Essa é a desculpa mais usada pelos pais que entregam a rotina aos filhos pequenos, que não compram as batalhas corretas e que se eximem da responsabilidade de criar seus filhos mais com exemplos do que com palavras. Eles aceitam a birra como uma condição natural da sua criança, que é diferente das crianças dos outros desde nascença, sem ter absolutamente nada a ver com isso, nem um pingo de responsabilidade no processo. E lidam com cada birra como se fosse isolada uma da outra: é sono, é fome, é vontade de brincar com o brinquedo do colega que não empresta, é porque está em um lugar estranho, é porque não acordou bem. Aí fazem logo o que a criança quer para evitar o choro, aí gritam, aí batem, aí imploram misericórdia a criança, aí barganham e chantageiam... Zero consistência na ação. 

A criança, enquanto mente pensante, não percebe o limite. O raciocínio normal é: "vou ver até 'onde dá. Opa! Não consegui. Tento de novo. Tento de outra forma. Não deu. Desisto." Nesses casos é: "vou ver até onde dá. Opa! Não consegui. Tento de novo. Consegui. Tento outra vez. Não deu. Choro mais. Consegui. Entendi, se eu chorar, se eu bater, se eu gritar, cedo ou tarde, eu consigo".

Amigos, a criança de dois anos é um produto do que fazemos com ela. A birra é natural da idade. A persistência da birra é consequência das nossas ações. Dói demais ouvir isso, mas não podemos responsabilizar totalmente uma criança dessa idade pelo seu comportamento, pois ou é repetição de algo que nós ensinamos ou é típico da idade.

Estou adorando escrever esse post, mas ele já ficou grande demais. Amanhã continuo minhas explanações sobre os outros tópicos. Beijos de luz!


segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Americanah

Oi, gente!
Como foi a virada de ano de vocês? Fim de ano é sempre época de refletir sobre o que poderia ter sido e o que ainda pode ser. O meu fim de ano foi muito promissor nesse sentido. Mas esse é tema de outro post.

Hoje, trago mais uma resenha de livro. Dessa vez, um livro adulto. Uma das promessas que me fiz ano passado foi ler alguma coisa de origem africana. Sempre que falo sobre a literatura da África, sinto que me falta base. que nos falta base. Fala-se ainda de um continente como se fosse um país. E da pobreza como se fosse uma condição que permeia a todos naquele lugar. E toda generalização é burra. 

Tinha me programado para começar essa inserção no continente por Mia Couto, moçambicano de sucesso no meio literário e que compartilha conosco a língua portuguesa. Mas o discurso feminista de Chimamanda Adichie acabou chamando minha atenção e pulou a fila. Além do fato de ela ser uma negra. O que a meu ver confere um pouco mais de proximidade com a realidade local que eu gostaria de ver.

Adichie tem livros premiados como o Hibisco Roxo e o Meio Sol Amarelo. Esse dois têm temas pesados como violência doméstica e opressão religiosa. Eu, particularmente, não estava com vontade de começar minha exploração literária pelo óbvio do sofrimento. Então, encontrei Americanah, uma história de amor entre um homem e uma mulher, um assunto ameno, mas que serve como plano de fundo para mostrar o que nos parece invisível.

Em Americanah, acompanharemos a história de Ifemelu e Obinze, dois nigerianos que se apaixonam ainda na escola. Os dois são classe média, embora Ifemelu seja filha de um funcionário de empresa particular que chega a ficar desempregado e Obinze seja filho de professora universitária, o que lhe garante certas regalias. Eles vivem todos os conflitos normais da adolescência, a timidez, a iniciação sexual, a diferença entre famílias. Tudo igualzinho a qualquer lugar no mundo.

Em paralelo, Adichie aproveita o contexto da Nigéria dos anos noventa para falar da influência funesta de certas igrejas evangélicas sobre um povo crédulo e ignorante, para tratar das relações de poder dentro da sociedade, onde a ética está diretamente ligada ao dinheiro, ou seja, tudo que as pessoas ricas fazem é correto ou é amenizado, para comentar o papel submisso da mulher, que mesmo com maior escolaridade e ganhando mais, ainda depende de uma figura masculina para ser alguém.

Em determinado momento do livro, Ifemelu e Obinze estão na universidade, porém, as greves são frequentes. Alguém sugere que tentem bolsas no estrangeiro. E Ifemelu é a primeira a conseguir a bolsa nos Estados Unidos. As promessas de reencontro entre eles são inúmeras, entretanto, quando chega a vez de Obinze, caem as Torres Gêmeas e os EUA fecham as suas portas para os estrangeiros. O que vai gerar uma separação de mais de dez anos entre eles.

A parte do livro que corresponde a Ifemelu nos Estados Unidos é a mais doída. Pelo menos, para mim, foi. Pois é onde vemos que o exótico está em nós, está nos nossos "olhos ocidentais". Adichie é divertida, de leitura fácil, mas é contumaz e objetiva também. Traz um caleidoscópio de situações em que fica claro o quão preconceituosos em níveis tão profundos nós somos. Em uma situação, Ifemelu conta que só se sentiu negra quando chegou na América, porque antes disso ela se sentia gente. Que só percebeu que havia diferença lá. E é bem isso. Você tem salões para negros, escolas para negros, bairros para negros. Fora desses lugares, o negro é exótico. As pessoas a param para falar de caridade e de assistencialismo e ela deseja várias vezes ser do lugar que dá ajuda ao invés de ser do lugar que recebe ajuda, pois sempre tem que se posicionar como a agradecida, sendo que as pessoas não a tratam bem.

Simultaneamente, acompanhamos o crescimento de Obinze em Lagos na Nigéria, o que também não foi fácil. Apesar de ser um cara competente e honesto, Obinze vai perceber que a Nigéria é um poço de corrupção, onde as pessoas enriquecem de maneira ilícita de forma fácil, contanto que não tenham escrúpulos. Depois de uma temporada terrível na Inglaterra, Obinze se torna uma dessas pessoas. E se inicia no mundo dos negócios sendo laranja de uma operação financeira. Fica rico e vazio. Casa-se com uma esposa religiosa e vazia, que não o faz feliz, que não o contradiz, que faz tudo o que uma esposa nigeriana da melhor qualidade deve fazer, mas que tem personalidade zero e ele sente falta da sinceridade de Ifemelu.

Ifemelu, por sua vez, apesar de ter conseguido o desejado visto americano (depois de namorar um branco rico, diga-se de passagem), também começa a se sentir vazia. Começa a sentir falta de ser nigeriana e dos traços típicos do seu povo. Sente falta também de Obinze. Resolve voltar. E aí vem uma outra nuance da história que nós brasileiros conhecemos bem, o complexo de vira-lata. Ao voltar para casa, Ifemelu reclama de tudo, do trabalho, do trânsito, da comida, dos serviços, até tomar consciência de que nos Estados Unidos também não é tudo perfeito.

O reencontro com Obinze é inevitável. Os dois vão ter de se readaptar às pessoas que se tornaram e aceitar as suas imperfeições É um final aberto e bonito. Simples como a situação pedia. Gostei. Os personagens me ganharam. E eu recomendo. Poderia dar pelo menos uma dezena de exemplos desse livro que me tocaram, mas o post ficaria imenso. Apenas recomendo a leitura. Foi uma experiência muito bacana. E, principalmente, cumpriu um dos objetivos da literatura, abrir seus olhos para realidades que simplesmente não alcançamos. Terminei essa história muito mais empática do que comecei.