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quinta-feira, 20 de junho de 2013

Assombrado

Eu sei, eu sei, eu sei. Vocês não aguentam mais resenhas da série A Mediadora. Prometo, gente, vai acabar logo. Graças a minha maneira quase compulsiva de ver a vida, só falta mais um volume da série e eu tô saindo daqui para ler, garanto.

Além disso, essa resenha aqui vai ser curtinha, porque qualquer coisa que eu vá falar desse livro vai acabar sendo spoiler, então, vou evitar dar muito, ok?

Assombrado (que nominho tosco para um livro, não é não?) é o quinto volume da série. A meu ver, bem podia ser apenas uma continuação do quarto, pois de fato não acontece muita coisa na vida sobrenatural de Suzannah. Na vida pessoal, entretanto, a coisa meio que desembesta...

Paul Slater, o misterioso rapaz do livro anterior, vai estudar na mesma escola de Suzannah. Bem, além do fato de que ele também é um mediador, ou melhor, um deslocador (descubra o que é lendo), ele parece disposto a conquistar o coração da protagonista, o que causa algum desconforto com Jesse, o bonitão de sotaque espanhol que mora no quarto da moça e que só tem um pequeno probleminha, está morto.

Olha, apesar do caráter duvidoso de Paul, eu gosto dele. Gosto mesmo. Porque ele tem razão. Numa disputa pelo coração de Suzannah, que deveria ganhar era alguém que pelo menos estivesse vivo. Mas, sei lá, tenho minhas dúvidas se a autora vai ter alguma coerência nessa hora. Para ser sincera, acho que não. ela já deu indícios que vai fazer uma senhora cagada no final dessa série.

Saindo aqui para ver como isso termina...

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Eragon

Finalmente terminei de ler Eragon.
460 páginas.
Letra pequena.
História comprida.

Não que seja ruim. De fato, eu achei até bem legal. O rapaz, Christopher Paolini, é sem a menor dúvida um grande fã do Tolkien e do Senhor dos Anéis, pois a narrativa segue os mesmos moldes. Porém, ele é bem mais moroso do que o criador dos hobbits.

A impressão que se tem é que as 460 páginas de letras miúdas são apenas os primeiros passos de uma imensa caminhada. E o pior é que nem sempre está acontecendo algo empolgante. São muitas cenas de acampamento, muitas descrições, muitas fugas e batalhas sem graça. Tem uma hora que cansa.

Tudo isso tem lógica, é claro. O personagem Eragon não passa de um menino de interior que, por um acaso do destino, acaba enfrentando monstros terríveis e um governo ditatorial perigoso. Para se ter ideia de quão frágil é Eragon, nem ler ele sabe. Então, ele não nem muitas escolhas além de fugir, fugir e fugir. Acredito que nos volumes seguintes da trilogia (que segundo me informaram não é uma trilogia, mas uma coleção de cinco livros) os poderes do menino se desenvolvam e suas batalhas sejam bem menos tediosas.

Basicamente, a história de Eragon é a seguinte: um rapaz muito jovem de um interior bem afastado está caçando na floresta quando vê um clarão e acha uma pedra estranha. A pedra ele tenta vender e não consegue, mais tarde descobre que é um ovo de dragão. Isso porque o dragão nasce. Quando ele toca o animal místico se forma entre ele e a criatura uma conexão vital.

A partir daí, o menino Eragon vai fazer de tudo para manter Safira (o seu dragão, que é fêmea) em segredo. O problema é que tem gente muito importante em busca dela. O rei do império onde vivem subiu ao poder destruindo dragões e seus Cavaleiros. Antes de tudo isso acontecer, era função dessas pessoas e seus dragões proteger os indefesos. Ele mesmo, o rei, é um Cavaleiro desertor e tem poderes, força e a vida mais longa do que os outros humanos. 

Eragon, sem querer e sem treinamento, torna-se um Cavaleiro. Ele passa a ser perseguido por criaturas brutais e feiticeiros poderosos capazes até de entrar em sua mente. Com a ajuda de Brom, que à princípio parece apenas ser um velho contador de histórias, ele foge em busca de aliados. Nesse percurso, nós acompanhamos uma parte inicial do treinamento de Eragon e Safira e conhecemos um pouco sobre a mitologia que envolve a trama. Porém, com certeza, esta é apenas a entrada para este mundo imenso de fantasia criado por Paolini.

Particularmente, não me sinto tentada a continuar, pelo menos por enquanto, nessa aventura. Talvez, se eu assistir ao filme, quem sabe? Nada contra, achei apenas muito extensa e não me sinto com fôlego para tanto. Mas, se você é o tipo de pessoa que adora histórias com todos os detalhe explicadinhos e encaixados, acho que esse livro é pra você.


domingo, 16 de junho de 2013

A Hora Mais Sombria

Olha, até que este feriado prolongado surpresa (descobri quarta que não tinha aula em Maracanaú quinta por conta do dia de Santo Antônio, decisão superior de última hora, sabe como é?) foi produtivo em termos de leitura. Com A Hora Mais Sombria, falta um livro para bater a meta deste mês de oito livros e nós estamos apenas no dia 17... Esse mês promete.

Provavelmente, a próxima resenha será de Eragon, acho. Faz mais de uma semana que eu ando com esse livro para cima e para baixo e ainda não consegui terminar, faltam umas 180 páginas. Não que o bichinho seja ruim mas a letrinha é pequena e são 460 páginas de uma história que me parece imensa (sei lá quantos livros tem essa série!). Haja fôlego!

A técnica que estou usando é a de revezamento, leio 50 páginas de um e daí pego outro livro. É assim que estou mantendo a meta deste mês. E, para quem está interessado, ainda não desisti dos Cem melhores contos brasileiros do século. Quero dar conta dele nesse mês também, mas a década de setenta tá de matar. Não estou gostando mesmo. Deixemos as futuras resenhas para o futuro

Bom, comecei a ler A Hora Mais Sombria, quarto livro da série A Mediadora (já resenhei os outros três volumes, se te interessou, procura aí no blog), porque o Raphael inventou de fazer um pão na casa da mãe dele. Não sei se vocês sabem, mas tudo que leva fermento biológico demora para ser feito. Entre a massa crescer, ser sovada e assada, deu mais que tempo de terminar. Meg Cabot tem dessas vantagens, é muito fácil demais que só da conta ler.

Gostei bem mais desse livro do que do anterior. Meg deve ter se tocado que o lance estava ficando repetitivo e finalmente contou um pouco mais sobre a história do Jesse, o fantasma gostosão que mora no quarto de Suzannah, protagonista de A Mediadora que vê alma. O surgimento de novos personagens também animou a história, Jack, um garotinho de oito anos, e seu irmão Paul, gatão misterioso, são conectados com as coisas do além e deu um quê de suspense e surpresa.

Nesse volume, Suzanna enfrentará os assassinos de Jesse e terá que lidar com os restos mortais do  rapaz que ela considera o amor da sua vida, ainda que ele esteja morto. Bem legalzim! Não tem muitas piadinhas, mas já tem mais do que o anterior. Eu me diverti particularmente com a subida de Suzannah para o além, quando ela, mesmo indo para o mundo dos mortos, se preocupa apenas com alguém olhando para sua calcinha. E o exorcismo à brasileira sempre me mata de rir.

Renovei meu ânimo para terminar a série. Indico.

Esperando por você

Ai meu pai!
O que foi que aconteceu com o bom e velho romance adolescente? 
Ninguém mais na faixa dos dezesseis anos se preocupa em beijar um cara gatinho, não? 
Será que os adolescentes de hoje estão tão preocupados com os problemas do mundo que não há mais livrinhos aguinha com açúcar com beijo no final?

Sei lá, viu? Que chato esse politicamente correto todo! Que chato esse povo politizado, interessado, atuante, que respeita toda e qualquer diferença e é incapaz de chamar um cara nerd de chato, mesmo se ele for um mala sem alça e sem rodinha! Que chato não encontrar mais livros adolescentes que não tratem de algum distúrbio físico ou emocional!

Não me leve a mal, não dá para negar o valor de um As vantagens de ser invisível ou de A culpa é das estrelas, mas eu detesto essas modinhas. Depois que um gênero entra na moda, o mercado editorial lota as livrarias de repetições e repetições sobre o mesmo tema. Nesse caso, haja sick-lit! 

A bola da vez são as doenças, não é mesmo? Quem olha para essa capa fofinha aí,  tão Meu primeiro amor, imagina uma historinha fofinha entre um carinha nerd e uma menina popular numa cidade de interior. Eles foram amigos na infância, mas cresceram. Ela gosta desse cara. A profundidade de um pires de chá. Beijo fofo no final e pronto.

Bem, Esperando por você vai quase por esse caminho. O problema é que se perde totalmente. Perde-se no caminho da depressão da protagonista. Sério? Depressão? Para quê? Acho que nem a Marisa, a protagonista, entende os motivos da sua ansiedade já que a vida dela é perfeita. Nem feiosa a coitadinha é. Muito classe média sofre para mim, se é que vocês me entendem. 

Aí tem divórcio de pais. Tem término com o namorado gato e gente boa. Tem crise de ciúme. Tem mais depressão. E o amigo de infância? Bem, ele vai aparecer, é claro, mas vai passar boa parte do tempo enxugando as lágrimas sem sentido de Marisa.

Com certeza, muitas adolescentes por aí se identificariam com a Marisa. Não é o meu caso. Tanto minha personalidade não é propensa a depressão, quanto  acho que é quase uma falta de respeito com as pessoas que sofrem desse tipo de distúrbio tratar desse assunto de forma tão leviana, como se qualquer unha quebrada fosse capaz de ativar o gatilho de uma depressão. 

Para mim, faltou pesquisa da autora sobre o assunto. Faltou respeito. E ficou vazio. E o pior, no final, em quinze minutos essa menina resolve o problema dela e tudo volta a ser cor-de-rosa. Me poupe! Como se fosse opção da pessoa ficar deprimida ou não. Quanta bobagem! 

Não indico, mas se você quiser se arriscar...


sábado, 15 de junho de 2013

Comédias para se ler na escola

Eu, sinceramente, acho que deveriam fazer bonequinhos de pelúcia do Veríssimo. Porque, é sério, dá muita vontade de apertar esse fofucho!

Em janeiro deste ano, eu tinha lido Diálogos Impossíveis também dele que o Raphael tinha ganho de amigo secreto. Eu adorei, como, aliás, eu sempre adoro. Comédias para se ler na escola não foi diferente.

Este livro não é inédito. Os textos foram escolhidos por Ana Maria Machado (também escritora) com um propósito, incentivar novos leitores. Ou seja, é um livro feito para ser adotado em escolas. Mas isso está longe de tirar o seu brilho. Os textos são super bem-humorados e, é claro, eu vou usar vários deles nas minhas futuras provas. Meus alunos que se preparem.

Fico sempre impressionada com a capacidade de alguém tão tímido quanto Luís Fernando Veríssimo ter tanto senso de humor. Bom, pelo que eu sei, o cara mal fala. Tenho a impressão de que esse tiozinho fica pelos cantos calados a nos espionar e, no seu mundo próprio, ele recria as situações mais inusitadas para depois as transportar para o papel. Como no conto/crônica em que o filho pergunta se o feminino de sexo é sexa, o pai responde que sexo não tem feminino e começa a confusão porque o menino quer saber se o sexo é igual para homens e mulheres, enfim, uma aula de semântica completa em poucas linhas. O fato é que ele, Veríssimo, sempre consegue me fazer rir muito com coisas absurdamente cotidianas. Situações que poderiam acontecer na minha casa, na sua casa, na casa de qualquer um...

Além de divertidos, os textos de Veríssimo são curtos. Por isso ele é o bam-bam-bam da escola. Hoje em dia, infelizmente, é preciso levar em conta a quantidade de linhas na exposição de textos para alunos, sob o risco de eles fugirem apavorados. Ainda bem que as poucas linhas de Veríssimo parecem não doer tanto.

E temos também a questão da linguagem. Como diz Ana Maria Machado no prefácio, poucos são os escritores que conseguiram colocar no papel tão bem a proposta modernista de uma literatura que mostrasse a nossa realidade de fala aqui no Brasil. Traduzir a fala corriqueira do brasileiro para as linhas não é nem de longe uma tarefa fácil. Nossas pausas, nossos risos, nossa gramática da informalidade. Não basta escrever tal e qual, fica caricato, é preciso adaptar. E o Veríssimo faz isso lindamente. Qualquer diálogo que ele produz poderia estar sendo dito na sua frente em um bar em um boteco aí da sua vizinhança sem mistério nenhum.

Minha admiração por este senhorzinho é imensa. Indico demais todos os textos dele. Espero, sinceramente, que ele continue conosco por muito e muito tempo.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Cinquenta Tons do Sr. Darcy

Certo dia, estava eu na Livraria Cultura esperando por uns amigos quando me deparo com este livro bizarro aí do lado. Eu e meu marido começamos a folhear e caímos na gargalhada. Rimos tanto que até pensei em comprá-lo, mas, como tinha tantas outras coisas para ler, acabei não comprando. Agora, finalmente, chegou a hora de conhecer o lado pervertido do Senhor Darcy.

O livro é uma paródia que mistura Os Cinquenta Tons de Cinza de E.L. James com Orgulho e Preconceito de Jane Austen. Eu achei simplesmente hilário esta mistura inusitada.

Em verdade, não é preciso nem forçar muito a barra para provocar riso. Os Cinquenta tons original é tão absolutamente sem sentido que já é engraçado por natureza. O recato da personagem principal que nunca namorou aos 21 anos. Os pensamentos sem noção e a fala com a deusa interior de Anastacia/Bella. A sua maneira desastrada de cair a todo instante que de repente some quando ela é possuída pelo todo poderoso (lê-se aqui: rico, rico, rico) Christian Gray. A obsessão de Gray em controlar o que a moça come e as perversões sem sentido dele. Enfim, bastou ao autor da paródia (que usa o pseudônimo de Emma Thomas, mas que claramente é um homem), salientar esses pontos e, em alguns casos, conversar com o leitor, afirmando diretamente que estava falado sobre isso. Como quando o autor arranja um balão para simular o passeio de helicóptero que tem no Cinquenta tons original e que não seria possível no século XIX.

Com relação ao sexo, acontece exatamente como no Cinquenta tons original. Muita falação. Muita dúvida e pensamentos delirantes da protagonista. Muita demonstração de artefatos bizarros. Discussões por mensagens entre os personagens. O fatídico contrato que faz as donas de casa ávidas por sacanagem no mundo inteiro suspiraram também está na paródia. Mas cena de sexo só tem uma mesmo.

Olha, foi bem inusitado ver o Senhor Darcy, queridinho das românticas exercendo esse papel. Para falar a verdade, de fato, os dois têm alguma coisa em comum. De cara, percebe-se o dinheiro. Aliás, há livro voltado para o público feminino que o herói não seja rico? Príncipe encantado tem que ter castelo, não é não? Mas, além disso, ambos tem um quê de manipulador, de poderoso e, para uma paródia, a escolha me convenceu. A Lizzie Bennet de Anastacia Steel também deu pano pra manga. Esse lance de ela ser a irmã feia/inteligente deveria ser algo original no tempo de Jane Austen. Sabe aquela feia que é só tirar o óculos e soltar o cabelo que fica linda nos filmes americanos? Pois é, tanto Lizzie Bennet quanto a protagonista de Cinquenta Tons são assim.

Bem, eu achei divertido ler essa paródia. Principalmente porque conheço os dois livros e os gêneros em que se inserem. São, sem sombra de dúvida, livros para mulheres e ver apontados os vícios desses gêneros como numa caricatura foi engraçado. Acho, entretanto, que se você é grande fã de qualquer uma das obras envolvidas, vai talvez se sentir ofendida. 

Também terminei o livro com vontade de ver de novo Orgulho e Preconceito, o filme, porque, como todas as mulheres do mundo, eu também adoro o Senhor Darcy. 

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Reunião

Hoje, depois de uma segunda de muito trabalho como presidente de mesa numa das seções para a eleição para diretor na escola em que trabalho, tirei o dia de folga e consigo, enfim, voltar à rotina.

Como estou meio de ressaca depois de tanto estresse e confusão (graças a Deus deu tudo certo e os alunos botaram para correr um passado que não enobrece a instituição), escolhi ler mais um livro da minha série favorita desses dias: A mediadora. E foi assim que cheguei a mais uma aventura de Suzannah e Jesse.

Para mim, foi o mais fraquinho dos três até agora. Começo a entender porque as pessoas dizem que é repetitivo. Bom, foram três livros e três garotos lindos atrás de Suze (fora o fantasma, é claro!). E ela ainda diz que ninguém dá bola pra ela. Me poupe, né?

Além disso, a insensatez da personagem principal está indo por um caminho que não me agrada. Sério? Ir num penhasco abandonado sozinha com um assassino sem avisar a ninguém? Pelo menos, ela foi lá com a intenção de matar o cara, o que a deixou, apesar de bastante estúpida, um pouco mais humana. 

Também não é o livro mais engraçado. As piadinhas são bem menos interessantes e mais raras do que nos dois primeiros, em compensação, os corpos mega-sarados com peitorais salientes que são uma das marcas registradas de Meg Cabot estão por todos os lados. Porém, os meio-irmãos de Suze, uns fofos eles, estão por todas as partes também. Quase vomito um arco-íris quando Soneca chama a mãe dela de "mamãe".

Gostei também da plot. Dessa vez, Suze conta com a ajuda de sua melhor amiga Gina, em visita  a Califórnia, para solucionar um misterioso acidente envolvendo quatro jovens perfeitos de um colégio particular da cidade. Os fantasmas, apesar de esnobes, não são tão escandalosos quanto os anteriores, e, pela primeira vez, vamos ver alguém conversar com fantasmas e tentar uma solução amistosa.

Nesse livro, também, a gente começa a conhecer melhor o passado. Uma namoradinha do padre aqui, uma palavrinha a mais da vidente que previu que Suze era mediadora ali, uma sugestão de que Jesse já possa ter matado alguém... Nada que chame demais a atenção.

Por isso, apesar de divertido e leve, só indico a leitura de Reunião por fazer parte da série. Mas eu poderia viver sem tranquilamente...