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terça-feira, 17 de novembro de 2015

Trecho de Pra você guardei o amor


─ Meu amorzinho, eu sei que o dia hoje foi intenso. – Dona Heloísa abraçava Milena. Dava-lhe beijinhos no rosto com delicadeza tentando transmitir-lhe sua força. – Você precisa descansar...
De repente, as duas começaram a ouvir a voz de Felipe cantando a plenos pulmões uma música de Jason Mraz. A música era linda e ele cantava com muita vontade. Queria ser ouvido em cada palavra. Dona Heloísa, romântica incorrigível que era, foi logo abrir a janela.
─ I won't give up on us/ Even if the skies get rough/ I'm giving you all my love/ I'm still looking up.[1]
─ Ele é insistente. Isso não se pode negar...
─ E lindo. E bacana. E romântico. Falta o que mesmo para você ficar com ele de vez, hem, Milena? Queria entender? Juro.

***

[1] Eu não vou desistir da gente. Mesmo que os céus fiquem violentos. Eu estou te dando todo meu amor. Eu continuo olhando para cima.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Processo Criativo - Tem Spoiler

Sempre que alguma amiga ou aluna lê algo que escrevi, a ideia de que aquilo que está ali sou eu surge. Como se cada casal fosse a representação de um namorado do passado. Cada situação fosse algo que vivi. Mas não é. Não da forma que se imagina.

Tem sim um pouco de mim. Porém, muito mais de observação do que de vivências. Coisas que aconteceram com amigos. Características que admiro nas pessoas. Nas relações, não somente amorosas como as diversas maneiras que as famílias têm de se relacionar. Mostro alguns valores que são meus que acho bacana passar. Mostro também outros valores que não acho bacana, mas que meus leitores devem descobrir sozinhos.  Ou seja, é mais um trabalho de observação da condição humana do que de vida prática.

Por exemplo, em Do Seu Lado, as meninas adoram o Vini. A representação física dele, realmente, foi inspirada em um colega de sala do passado, assim como seu gosto pelo futebol. Porém, os olhos verdes que mudam de cor com o humor, que muita gente acha que é uma mentira, roubei do meu sogro. A diferença é que os dele são azuis e não verdes como os de Vini. 

Já a personalidade de Vini é uma mistura de todos os exageros de colegas na adolescência. Vá por mim, eu não concordo com a maneira obsessiva com que ele se comporta. Embora muitas leitoras entendam a relação dele com Malu como um amor lindo. Eu, particularmente, entendo como imaturidade. Típica da idade. Típica das relações dessa faixa etária.

Gosto da relação dele com a mãe. Gosto de sua lealdade com os amigos (tudo isso observei de diferentes pessoas.). Mas, no quesito amoroso, ele mesmo admite em algum momento, que sua relação com Malu beira o doentio. É uma idealização sem fim. E vejo isso com frequência nas relações adolescentes. Por isso está no livro.

Por isso também não entendo quando as meninas ficam com raiva de Malu quando ela o deixa para estudar fora. Você acha certo abrir mão de um sonho dessa magnitude por causa de um namoro de escola (por maior que seja)? Você faria isso? Tadinha da Malu. Falar sobre ela daria um outro post, mas não consigo sentir raiva da bichinha por causa dessa escolha em específico não.

Voltando ao tópico, o meu processo criativo é constante. Estou sempre colhendo características para os personagens. Da minha vida, da vida dos outros. Tento não extrapolar a barreira daquilo que conheço, pois acho que fica mais fácil de errar quando não conhecemos a perspectiva do outro. Mas, dentro do universo humano que pertenço, vou misturando vida particular, observação e criatividade na composição das histórias.

E os personagens, que nascem mais com propósitos (função naquela determinada história) do que com personalidade, vão ganhando essas características e ficando com um jeitinho só deles. 

Pensando bem, deve ser assim que Deus faz também.




terça-feira, 10 de novembro de 2015

Trecho de Do Seu Lado

Foi com uma imensa satisfação que Seu Fernando cumprimentou Vini, pareciam amigos de longa data. Tão logo Malu e o rapaz cruzaram a porteira da fazenda, ele nem os deixou entrarem na casa, puxou Vini para a garupa do seu cavalo e seguiram em direção aos estábulos onde ficava estacionado o velho trator.
Malu não se deu ao trabalho de ficar indignada pelo fato do pai nem ter lhe dado atenção, achava muito legal essa amizade que crescia entre eles. Chegou até a considerar o quão seria útil toda essa empatia entre os dois quando fosse revelar que estava namorando Vini, se é que faria isso um dia.
Deitou-se numa rede na varanda disposta a tirar um cochilo, mas seus pensamentos voaram para esse futuro com Vini, podia vê-lo tirando as coisas deles do carro, prontos para passar o fim de semana com a família, a avó faria a comida favorita dele e o pai se derreteria em atenções ao rapaz como fazia agora, depois Isaura viria de tarde trazendo Laura para brincar e Malu podia prever que a criança seria louquinha por Vini também, já que todos pareciam cair de amores por ele rapidamente. Ela se perguntou com um sorriso no rosto desde quando Vini era tão encantador.
Enquanto isso, Vini e Seu Fernando desmontavam e limpavam as peças do motor do velho trator. Vini tirara a camisa para não sujar de graxa e Seu Fernando lhe emprestara um chapéu para proteção por conta do sol forte na cabeça. Assim de jeans, chapéu, sem camisa, barriga dividida, pele bronzeada e olhos muito verdes concentrados no trabalho, Vinícios estava bonito demais para manter as jovens lavadeiras trabalhando do outro lado da cerca. A toda hora uma moça vinha puxar assunto com Seu Fernando, vinham cheias de risadas e sorrisos, ajeitavam o cabelo e rebolavam mais do que o costume. O rapaz nem reparava nelas, mas Seu Fernando começava a se divertir com aquele desfile.
– Vem cá, filho, é sempre assim por onde você anda? - finalmente falou quando a quinta moça, a filha da Dona Mercedes, desistiu de tentar chamar a atenção deles.
– Como assim, Seu Fernando? - Vini levantou o olhar do serviço que fazia. Só então percebeu os acenos e risadinhas de um grupo de moças que lavava roupa num riacho mais a frente - Ah! Isso! - Vini sorriu, baixando a cabeça.
– Como assim? Você nem liga? Hiii! Sei não, moleque, eu na sua idade... - aproveitou para tirar onda.
– Se eu fosse deixar de fazer o que estou fazendo cada vez que isso acontecesse... - já que Seu Fernando queria se divertir, resolver bancar o boçal - Eu não faria mais nada da vida! - sorriu.
– Arre! Mas olha a petulância do moleque! Duvido. Você é mesmo um frouxo, quer saber? - divertia-se com o rapaz.
– Seu Fernando, eu sou um homem de paixões, aprendi isso com meu pai. Tem horas que eu prefiro a certeza e a previsibilidade dos motores do que mexer com os inconstantes corações femininos. Então, me deixe trabalhar, sim. - disse com a sabedoria de um bêbado de botequim barato. E Seu Fernando, diante da declaração, controlou-se para não desatar a rir. Mas o moleque continuava a se fingir de sério e aquilo tornava tudo ainda mais divertido.
– Pois bem, seu atrevido. Mas foi você mesmo quem me disse que a maior paixão do seu pai não eram os motores...
– Nem a minha. - Vini parou de polir a peça e o encarou sério. - Eu nunca disse que era. Na minha cabeça e o no meu coração, antes de qualquer outra coisa, só tem uma paixão.
– Ah! - Seu Fernando não percebeu que de repente o clima não era mais apenas de brincadeira. - E eu posso saber qual é essa paixão avassaladora que consome esse seu jovem coração, moleque?

– Sua filha.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Atividade de Transferência de Sólidos


Concentração. Palavrinha mágica para quem tem crianças pequenas. E como é difícil que foquem por alguns minutos em uma atividade. Psicólogos, aliás, já alertam para a super estimulação dessa geração. 

Para eles, tudo canta, tudo dança, tudo interage, tudo responde, tudo brilha e tudo pisca. Como esperar que essas pessoinhas gostem de ler? Como se pretende que elas aprendam a imaginar por conta própria? E no futuro, como convencê-las a fazer cálculos matemáticos ou estudar por um livro que não tem botões?

A atividade de hoje convida a refletir sobre isso. A sobrecarga de estímulos não é benéfica, pelo contrário, é estafante para a criança e pode ser prejudicial, se a impede de se desenvolver. Por isso, a atividade que compartilho com vocês será, ao mesmo tempo, sobre diminuir a quantidade de estímulos e sobre concentração. 

É bem simples. Basta separar em uma tigela ou bacia algum material sólido ( nas fotos estou usando macarrão gravatinha, mas já usei arroz, lentilha, milho), gosto de usar comida porque, se minha filha colocar na boca não tem problema. Mas ela não coloca. Nunca colocou. Fica entretida demais e já passou dessa fase de colocar tudo, toda hora, na boca.

Então, você disponibiliza para a criança potinhos de diferentes tamanhos e formatos, assim como colheres ou pazinhas (também de variados tamanhos). 

Eu costumo fazer atividades com a Bia dentro dessa piscina de plástico azul que vocês estão vendo aí nas fotos. Facilita na hora de limpar. Caso suje, só jogo debaixo do chuveiro e está ótimo ( a sugestão do vídeo é usar um lençol, caso não tenha a piscininha). Além disso, ela está acostumada à piscina. E todas as vezes em que eu a pego, Bia vai logo se empolgando, porque sabe que vem alguma atividade bacana. Rotina é tudo!

No mais, é só deixar a criança interagir com os objetos. Eu nem interfiro. Ela passa uma bom tempo tentando colocar os grãos nos potinhos, transportá-los com as colheres. Às vezes, a maneira como os grãos ou macarrões se arrumam nos potes chama a sua atenção. Ou seja, coordenação motora fina e concentração sendo trabalhadas. Além, claro, a questão física do conhecimento dos sólidos. SUCESSO TOTAL!!! 

Nunca imaginei que seria assim. Eu pude descobrir, na prática, o poder que uma criança concentrada tem. Vi essa atividade em um vídeo, achei bacana, reproduzi em casa e deu MUITO certo. A tal ponto de que a repeti várias vezes com outros materiais. A Bia simplesmente adora. Geralmente, ela passa quarenta minutos concentrada, sem nem notar que eu existo. Posso bater fotos, cantar, que ela não está nem aí. Percebam que ela nem olha para a câmera.

É uma atividade fantástica para os dias de chuva. Ou para aqueles momentos em que a criança está elétrica e a hora de dormir está chegando. Desacelera na hora. 


sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Banco Itaú - Leia para uma criança

Desde que descobri, uns três anos atrás, que o Banco Itaú tinha essa iniciativa, todos os anos peço minha coleção. A proposta, caso você não conheça, é dar livros para que os adultos possam ler para suas crianças, sejam elas filhos, sobrinhos ou vizinhos. 

Achei a ideia maravilhosa. Tanto porque o livro infantil é realmente caro. Principalmente se colocado em perspectiva com o livro adulto que "tem muito mais páginas". Sei que ali existe todo um outro trabalho de ilustração, de adaptação de linguagem, mas ainda assim não justifica os preços.

Além disso, o incentivo atinge diretamente o problema da questão da leitura no Brasil. Adultos não-leitores que não valorizam o ato de ler. Recebendo os livros de graça, acabam-se todas as desculpas para não se ler para uma criança.

O site, aliás, traz até recursos para ajudar os adultos na tarefa. Os que são encabulados. Os que não sabem o que fazer. Tanto tem textos motivadores, dando uma forcinha para se soltar na tarefa de ler, quanto tem aplicativos de celular com boquinhas e sonoplastia para animar a brincadeira.

Todos os anos, uma nova coleção é lançada, com livros nacionais muito bons. O que de quebra ainda valoriza os escritores daqui. Os livros deste ano são esses aí:


Se você nunca pediu, pode pedir. Chega mesmo. Já recebi a minha. E, para completar, ainda vem em um envelope lindo com selos de princesa e o remetente é o príncipe sapo. Encantador! Às vezes, quando a esmola é demais, o santo desconfia. Você pode pensar que vai receber propagandas ou outro tipo de inconveniente do banco. Não acontece. Comigo nunca aconteceu, pelo menos. Pode pedir tranquilo.

E é fácil, basta preencher um formulário, nome, endereço de entrega, relação com as crianças para quem você vai ler. Não se preocupe. Você vai receber de qualquer jeito, não precisa dizer que tem muitas crianças, nem que são seus filhos ao invés de sobrinhos, por exemplo. Acho que esse tipo de dado é somente para estatísticas internas.

Estou deixando o link para facilitar sua vida. Peça mesmo!

Peça sua coleção aqui.





quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Ter um patinho é útil

 A relação da minha filha com a leitura começa muito cedo Sempre tive um encantamento com a literatura infantil, mas, quando descobri que estava grávida, comecei um investimento sério nesse sentido. Todos os meses eu compro livros infantis. Minha maneira de comprar vale um post só para isso que talvez eu faça. Porém, por enquanto vale saber que esse é um compromisso que tenho com minha filha. Meu legado. Das coisas que preciso ensiná-la, e são muitas, gostar de ler é meu objetivo top.

 Então, partimos para a questão cronológica do desenvolvimento infantil. O começo foi fácil. Livros para bebês são inúmeros, de plástico, de tecido, com texturas, com barulhinhos. Era só deixar manusear e ela botava na boca e interagia como qualquer brinquedo. Depois, lendo por aí qual seria o próximo passo, percebi que começou (lá pelos seis, sete meses) o interesse pelos livros formadores de vocabulário. São livros com fotos (as crianças pequenas têm dificuldade de associar desenhos com a realidade, principalmente se não forem desenhos realísticos). Até hoje esses livros fazem sucesso por aqui. Começamos com livros com uma imagem em cada página e já estamos em livros com 10 ou 12 imagens. Os livros favoritos são os de animais.

Porém, com 1 ano e 7 meses, percebemos que precisamos introduzir histórias com começo, meio e fim. No entanto, os contos de fada não seguram a atenção dela, quando não causam um medo desnecessário da bruxa. Ela sempre reage mal a contos de fada. Sei que os conhece da escolinha, mas não acho eficiente. Se não for maléfico.

Ganhamos de presente o livro Uma lagarta muito comilona (Eric Carle - Kalandraka), A Bia adorou. A historinha simples e repetitiva tem começo, meio e fim, ao mesmo tempo que os elementos que se repetem mantêm a atenção da criança. Com ele, descobri que existem livros para essa faixa de desenvolvimento, mas são bem mais difíceis de achar. Por isso, vivo a procurar por livros assim.

Nessa procura, cheguei no maravilhoso Ter um patinho é útil de Marisol Misenta (ou somente Isol). Nesse livrinho todo sanfonado, de um lado, vamos ver (em amarelo) o encontro entre um menino e um patinho de borracha e todas as brincadeiras que fazem sob a perspectiva do menino. E, para nossa surpresa, ao final do livro, deparamo-nos com uma segunda capa (em azul), com a mesma história da relação menino-patinho da perspectiva do patinho. Lindo. Criativo. E vem garantindo momentos prazerosos de leitura aqui em casa.

Para variar, é mais um livrinho da Cosac Naif. Acabamento impecável. Vem numa caixinha para o sanfonado não abrir. As ilustrações têm traços simples e compreensíveis pelas crianças. A meninada se identifica com as atitudes do menino. E, além de tudo, ainda damos a criança uma primeira experiência com a leitura da modernidade, pois nada mais moderno do que a mudança de perspectiva. Do que encarar o narrador como figura atuante na construção da narrativa. 




quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Minha vida fora de série - Terceira temporada

Meio mundo de gente já resenhou esse livro, como acontece com qualquer um da Paula Pimenta assim que sai, não vou fugir da minha tarefa, uma vez que estava louca para ler também. Mas vou logo avisando: dou spoiler. 

A Paula é a autora do gênero mais vendida no país. Deve, no muito, empatar com a Talita Rebouças. Embora a primeira atinja o público adolescente, enquanto a segunda se concentra mais nos pré-adolescentes.

Teci vários elogios à Paula enquanto lia a série Fazendo Meu Filme, você pode achar algumas resenhas aqui no blog. Tenho a série completa, mas, por conta da minha parada, não resenhei o restante, embora tenha lido todos. Acho a história legal, as personagens secundárias são interessantes e o casal convence. Tem começo, meio e fim. É fofinho. Vale à pena!

Lembro de ter gostado mais ainda de Minha Vida Fora de Série. A personagem principal, Priscila (minha xará), é bem mais pro-ativa. Além disso, ela começa a namorar com treze anos. Achei fofo. Inocente. E é uma coisa que, como autora, ainda não consegui fazer, mas vou tentar um dia. O Rodrigo, par romântico, também me convenceu muito mais. Um sucesso!

O que acontece, nessa terceira temporada (Priscila é viciada em séries, por isso o nome) é que, depois de ler Fazendo Meu Filme, o enredo central desse livro está ficando meio repetitivo. Assim como em Fazendo Meu Filme, o casal principal vai terminar (disse que tinha spoiler) e depois se reencontrar no futuro para um felizes para sempre (isso não acontece nesse livro, mas vai acontecer certamente no próximo). De fato, seria muito sem graça em termos de clímax se esses dois namorassem a vida inteira. O término é previsível. Além de ser descrito na série anterior. O que me matou foi o motivo. De novo o carinha que a garota conheceu em uma viagem? Sério? De novo um reencontro com esse carinha num país distante depois do término? Para mim, isso foi um pecado mortal. Dona Paula perdeu um muito do meu respeito.

Porém, como um todo, gostei do livro. Uma relação com tanto tempo, nesse livro o casal já tem seis anos de namoro, com tantas coisas mudando, é complicada mesmo. E, às vezes, é melhor deixar o outro seguir o seu caminho. Acho que isso a autora conseguiu passar. Outra coisa bacana da história é a interferência das pessoas, como em qualquer relacionamento, sempre tem uma galera azeda que fica torcendo contra pelos motivos mais torpes, assim como um pessoal que acha o casal mais perfeito do mundo, sem imaginar o esforço que o cotidiano demanda. Achei isso bacana também.

Minha parte favorita, no entanto, são as amizades. Tanto Priscila quanto Rodrigo têm amigos. Poucos, muitos, varia de acordo coma personalidade de cada um. E acaba que o livro é sobre se importar com o outro. Amigos que deixamos de lado por conta de um namoro, por conta de uma mudança, por conta de diferença de interesses, se a amizade é verdadeira e a necessidade existe, eles estão ali. Gostei bastante da maneira como os personagens resolvem se reconstruir através desses amigos e interesses deixados para trás.

Gostei também da reviravolta na vida da Priscila, quando ela decide governar novamente a própria vida em função dela mesma. Acho que todo mundo precisa dessa fase egoísta, para cuidar de si, para correr atrás do que quer. Desistir de fazer veterinária foi a cereja do bolo. Inesperado. Refrescante. Um pouco de originalidade na fórmula batida. Porém, para compensar o nível cármico, Dona Paula me vem com o sobrinho com o nome de Rodrigo, ultrapassando todas as barreiras da breguice.

Termino aqui minha resenha. Abração. E lê aí você também, diz se gostou...