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sábado, 4 de maio de 2013

Post nada literário

Estou bem feliz. Ontem vencemos mais uma batalha do desafio "Arrume a Casa". Este ano, eu e o Raphael estamos na batalha para deixar nossa casa de recém-casados (lê-se aqui: muita coisa ainda com lugar improvisado), em uma casa de gente grande. 

Pra quem não sabe, minha mãe me deu de presente de casamento um ar condicionado, nós só o instalamos semana passada (casamos em 12/11). Santa procrastinação, Batman! 

A vida está mais bonita agora com o quarto a 22 graus e eu quase consigo perceber porque alguns conjuntos de cama vieram com um edredom, peça totalmente sem uso no Ceará.

Ontem também foi dia de poeira e cheiro de cola aqui em casa. Finalmente, depois de muita raiva e encheção de saco o pessoal veio instalar o Box (é assim que se escreve?) e o espelho do banheiro. Esse foi mais um momento procrastinação. Nossos padrinhos de  casamento, Odécio e Mardulce, se ofereceram para dar o bendito box, mas nada da gente ir atrás. Fomos! Aproveitei o meu aniversário para pedir ao Raphael de presente o espelho do banheiro. Fizemos as duas coisas no mesmo lugar. Depois eu posto umas fotos no Face para vocês verem como ficou.. Daquelas fotos bem sexies no espelho... Vou causar!

E, por fim, algo que tenha a ver com literatura. Compramos as estantes para a sala. Eeeeebaa!!! Tadinhos dos meus livros, estão ávidos para ver a luz do sol. Desde que me mudei da casa da vovó (me sentindo a Chapeuzinho Vermelho dizendo isso), meus livros não tiveram mais sossego. Estão por todos os cantos. Escondidos em caixas plásticas por aqui. Em estantes esquecidas na casa do Raphael. Em algum lugar sombrio e fora das vistas ainda na casa da vovó. Vai ser como reunir irmãos órfãos separados na Segunda Guerra na mesma casa, enfim, uma grande festa emocionante, todos nós juntos. Chego a ficar com lágrimas nos olhos...

Compramos a estante na Tok&Stok, tinha que ser, eu e o Raphael temos uma história de amor com este estabelecimento, então, depois de alguma pesquisa, acabamos lá. E foi ótimo como sempre. Fomos mais do que bem atendidos pelo Roberto. E, em termos de compra, não tivemos nunca um problema sequer com essa loja. Tudo Perfeito! 

A estante, na verdade, são três módulos de estante, custou R$1615,00 (já entregando e montando em casa), parcelado em 10 vezes. É isso aí, já diz aquele ditado: Quem não deve, não tem. A data da montagem ficou para o dia dezessete deste mês. Contando os minutos até lá... (Para meus jovens alunos, a vida de gente velha é assim, a gente não se anima mais com o show da Cláudia Leite, a gente se anima com a chegada de um móvel novo que vai demorar 10 meses para ser pago. Decadência? Não. Vida adulta!)

Não foi tarefa fácil encontrar a estante já que aqui em casa nós temos um espaço específico para ela. Todo apertamento hoje em dia tem espaços bem específicos, mas aqui em casa a coisa é mais séria ainda. Tem um recuo na parede. O canto perfeito para a estante. Esse espaço mede 1,68m. Vai achar móvel modular que se encaixe perfeitamente pra tu ver o que é dificuldade... Depois de orar para alguns santos não-oficializados, achamos algumas opções. A opção da Etna dava mais de R$2000,00 e talvez não desse conta. Na Candelabro, nenhuma opção agradou gosto e tamanho e na Tok&Stok encontramos duas opções, ficamos com a menos estética e mais resistente. A bichinha não é feia não. Dá uma olhada nela na sala aí de cima. Ou então aqui do lado. Serão dois módulos de 62x196 e um módulo de 40x196. 

Quando chegar e eu arrumar uma parte da bagunça que essa chegada vai fazer, eu coloco umas fotinhas e quem sabe mostro minha coleção de livros, não é?

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Próximos da fila

Comecinho de mês, vamos ver quem anda chegando por aqui para próximas leituras.

Primeiro, ainda estou enfrentando Os cem melhores contos brasileiros do século. Como eu disse, 609 páginas de literatura adulta não é fácil não bem! Mas tamo na luta. Vai dar tudo certo!

Além disso, tenho uma listinha de livros se acumulando, esperando a oportunidade. Qualquer hora ela chega. São eles: Incidente em Antares do Érico Veríssimo (eu comecei a ler, mas cearense lendo coisa de gaúcho não é fácil, preconceitos a parte, é muito complicando lidar com essa história frequente de macho para cá e macho para lá que eles têm), O restaurante do fim no universo do Douglas Adams (sequência do Guia do Mochileiro das Galáxias. Estou esperando um momento totalmente "sem noção" para ler esse aqui), Fernão Capelo Gaivota do Richard Bach e O lado bom da vida de Matthew Quick, esses dois últimos estão no meu computador.

Na estante virtual, minhas últimas compras foram:
Para cima e não para o norte - Patrícia Portela

Esse livro me chamou a atenção depois da resenha da sempre citada Tati Feltrin do canal Tiny Little Things. Recentemente, ela resenhou outro livro dessa mesma coleção de capas lindas e títulos geniais da Editora Leya, o livro: Um piano para cavalos altos. Estou bem ansiosa pela leitura desse da Patrícia Portela. Se for tão bom quanto eu acho que será, vou querer todos. Olha aí como são lindos.

A mediadora - Meg Cabot

Eu espero que esse livro me divirta. Cheguei a gostar de O diário da princesa, outra série da Meg Cabot, mas daí vieram tantas centenas de milhares de continuações que cansei. Vamos ver se esse é mais legalzinho. Pelo que sei, a mocinha vê fantasmas, inclusive um bem gostosão que mora na casa dela. Não sei como isso pode funcionar... Porém, vou dar um crédito porque gostei muito daquela série brasileira de mesma temática produzida pela Bandeirantes: Julie e os Fantasmas. Não assistiu, assiste que é uma gracinha! Tá no youtube.

Como quase namorei Robert Pattinson - Carol Sabar

Título divertido, né? Espero que o livro seja um chick lit engraçadíssimo. Tô contando com isso. Pelo que eu sei, a mocinha vai morar num apartamento e o seu vizinho é a cara do ator de Crepúsculo. Bom, nem acho o carinha de doente lá essas coisas todas, mas se a autora tiver um ritmo gostoso, a premissa é boa para umas gargalhadas.

Contos Fantásticos do Século XIX - Escolhidos por Ítalo Calvino

Já vão logo percebendo que este aqui vai ser outra batalha. Mas eu juro que não consegui resistir, estava por menos de R$15,00 na Estante Virtual. Essa, aliás, é uma coisa que eu adoro no meu país, livro usado de literatura é baratíssimo, porque ninguém lê de verdade, as pessoas só querem mesmo é sair das livrarias chiques com as sacolas. Adoro literatura fantástica. Não poderia deixar a oportunidade passar. Pensando bem, todos os livros dessa coleção da Companhia das Letras me parecem maravilhosos, porém, infelizmente, nem todos estão tão em conta assim. Mas eu chego lá. Devagarinho, eu compro todos.

Sangue, ossos e Manteiga - Gabrielle Hamilton

Primeira biografia que comprei. Não sou uma grande fã de não-ficção, mas vi a indicação desse livro em um canal do youtube (não lembro o nome do canal infelizmente) e achei a cara do Raphael. Como o aniversário dele está chegando, resolvi nos presentear. Se ele não gostar, eu leio. Se ele gostar, leio também, só que depois dele. Segundo a resenha, trata-se da trajetória de uma chefe de cozinha nada tradicional. A capa e o título me parecem apetitosos, vamos ver se agrada ao paladar.

O livro do amanhã - Cecelia Ahern

Atendendo aos pedidos da Bruna, comprei esse livro que ainda figura na entrada das livrarias. Acredito que faça parte da linha sick lit em moda nos últimos dias, com pitadas de fantástico. Pelo que entendi, a protagonista encontra um livro que tem sempre o que acontecerá no dia seguinte da vida dela. Será que é possível mudar o destino? Meio O clone, né? Maktub, já estava escrito. Vamos ver que bicho dá.

Bom, por hoje é isso. Qualquer indicação, estamos aí. 

quinta-feira, 2 de maio de 2013

De 1900 aos anos 30

Terminei de ler a primeira parte do livro Os cem melhores contos brasileiros do século. Olha, fiquei até surpresa porque eu até já tinha lido anteriormente muita coisa. Então, foi mais releitura do que leitura, mas foi ótimo mesmo assim.

Nessa parte, temos treze contos, alguns deles:  A Nova Califórnia e O homem que sabia javanês de Lima Barreto, Gaetaninho de Alcântara Machado, Baleia de Graciliano Ramos e Negrinha de Monteiro Lobato.

Começo dizendo que essa parte da coletânea tem dois contos de Machado de Assis, eles estão lá para representar o grande contista que Machado foi, mas nenhuma das duas narrativas chega aos pés de O Alienista, A missa do galo ou de A cartomante. Mesmo assim, dá para sentir a ironia fina machadiana. Além disso, fazer um livro que tenha no título as palavras "melhor" e "brasileiro" se tratando de literatura e não colocar Machado é uma afronta.

Já Lima Barreto, que é um dos meus escritores favoritos, está muito bem representado. Os dois contos são maravilhosos. Adoro a maneira elegante com que Lima critica a sociedade vigente nas suas feridas mais escondidas e nas mais evidentes ao mesmo tempo. A Nova Califórnia é uma crítica severa à ganância humana, como ela se sobressai aos valores, até os valores mais inatacáveis como o respeito aos mortos. Este conto, para quem não sabe, inspirou a novela Fera Ferida da Globo. Já O homem que sabia javanês critica o orgulho e a vaidade acadêmica, a cultura pingente que é apenas adereço de uma classe social dominante, mas que não significa nada, que não faz sentido. O humor desse conto chega a ser agressivo, embora, quão atual isso pode ser, meu Deus, boa parte das pessoas sequer o perceba. Enfim, Lima Barreto é um herói.

Alcântara Machado eu já fui conhecer como professora de Literatura. Lá estava ele no livro didático com sua linguagem cinematográfica e seu retrato do cotidiano de uma São Paulo de imigrantes que não me é familiar. O Ceará, para quem não sabe, quase não teve emigração. Eu me encantei com Brás, Bexiga e Barra Funda e suas realidades tão conflitantes de grande metrópole em formação. Gaetaninho é um dos contos desse livro e fala sobre um menininho de descendência italiana que sonha em andar de automóvel, algo novo na cidade de São Paulo. Ele realiza o sonho tarde demais. Final triste e encantador.

Baleia é um conto que depois foi fazer parte do romance Vidas Secas de Graciliano Ramos. Não gosto de livro cuja temática é seca, mas Graciliano me pegou bem na veia. Esse livro é lindo inteiro. O ambiente, é claro, é extremamente desolador, entretanto, a tristeza vai na alma daquelas pessoas, a secura está na alma. Eles não sonham, eles não almejam, eles sequer falam. A dúvida é se aquilo ali é gente. Há uma animalização das pessoas e uma humanização do animal para diminuir essas fronteiras de propósito. Nesse conto, vemos a morte dessa cadela, Baleia, o mais humano entre os personagens, o único capaz de sonhar. Beleza extrema que só os grandes mestres proporcionam.

Terminando o post de hoje, Monteiro Lobato. Sou tão fã de Monteiro Lobato que acho uma estupidez essa revolta com relação a ele. Essa ditadura do politicamente correto chega a ofender. Monteiro Lobato não foi racista. Ele foi senhor de escravos. A lição número um de quem faz Humanas é "não podemos deslocar um homem do seu tempo". Como eu posso criticar com os olhos de hoje alguém que nasceu em 1880? Hipocrisia estúpida. A meu ver, afastar das crianças atuais as Reinações de Narizinho ou As caçadas de Pedrinho é um crime dos mais ordinários.

Bom, em todo caso, não estamos aqui para falar disso. A discussão de hoje é sobre o Montero Lobato para adultos. Ele é um crítico contumaz nessa seara. Dá para sentir o ácido. Urupês, conto que deu origem ao personagem popular Jeca Tatu é exemplo desta criticidade agressiva. O conto desta coletânea, Negrinha, entretanto, é até suave se comparado a Urupês. E, pasmem, para os padrões de hoje, é até politicamente correto. Nessa história, acompanhamos a vida de uma criança negra que não sabe nem o que é brincar. Sua vida é totalmente insignificante até que ela percebe que pode-se viver de outras formas e a impossibilidade de transformar a sua própria realidade acaba por matá-la. Triste, não é?

Continuo lendo por aqui. Anseio pelo que me espera nas próximas cem páginas. Mantenho vocês atualizados. Até.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Atualização do Desafio

Dia do trabalho, ninguém aqui trabalha... Post de hoje é só a listinha de atualização.


No mês de abril eu também consegui cumprir com a meta, acompanhe o que eu já li e resenhei até agora:

  1. As vantagens de ser invisível - Stephen Chbosky - Editora Rocco
  2. Sábado à Noite - Babi Dewet - Editora Évora
  3. Lola e o garoto da casa ao lado - Stephanie Perkins - Editora Novo Conceito
  4. O Herói Perdido - Rick Riordan - Intrínseca
  5. Apaixonada por palavras - Paula Pimenta - Editora Gutenberg
  6. O Filho de Netuno - Rick Riordan - Intrínseca
  7. A marca de uma lágrima - Pedro Bandeira - Editora Moderna
  8. O Guia do mochileiro das galáxias - Douglas Adams - Editora Arqueiro
  9. Rosa e Túmulo - Diana Peterfreund - Editora Galera Record
  10. Contos de amor rasgados - Marina Colasanti - Editora Record
  11. Pobre não tem sorte - Leila Rego - Editora All Print
  12. Luna Clara e Apolo Onze - Adriana Falcão - Editora Salamandra
  13. Aquele Verão - Sarah Dessen - Editora ID
  14. Mariah Mundi - A caixa de Midas - G.P. Taylor - Editora Paneta Jovem
  15. Tequila Vermelha - Rick Riordan - Editora Record
  16. Antologia Poética - Mário Quintana - L&Pm
  17. O Castelo Animado - Diana Weynne Jones - Editora Galera Records
  18. Confissões de Adolescente - Maria Mariana - Editora Agir
  19. Fazendo Meu Filme 1 - Paula Pimenta - Editora Gutemberg
  20. Ninhonjin - Oscar Nakasato - Editora Benvirá
  21. A Seleção - Kiera Cass - Editora Seguinte
  22. A Culpa é das Estrelas - John Green - Intrínseca
  23. Longe é um lugar que não existe - Richard Bach - Editora Record
  24. A Música que Mudou Minha Vida - Robin Benway - Editora Galera Record
  25. A menina que roubava livros - Markus Zusak - Intrínseca
  26. O Teorema Katherine - John Green - Intrínseca
  27. Histórias Maravilhosas - Truman Capote - Editora Nova Fronteira
  28. As Melhores Histórias da Mitologia Africana - A.S. Franchini e Carmen Seganfredo - Editora Artes e Ofícios
  29. Olhos de Cão Azul - Gabriel García Márquez - Editora Record
  30. Anna e o Beijo Francês - Stephanie Perkins - Editora Novo Conceito

terça-feira, 30 de abril de 2013

Resolvi encarar, e daí?

Como estou adiantada nas minhas leituras e estamos quase no começo do mês de maio, olhei para essa gracinha aí do lado e pensei que talvez a gente devesse começar a se conhecer melhor... Ontem, demos início a esta relação que deve vir a ser longa.

Esse livrinho tem apenas 609 páginas de puro amor. Então, acredito que eu vá demorar um tantinho a mais para terminar de lê-lo. Pelo que já andei folheando, imagino que a experiência vai ser das mais agradáveis. Sofrimento zero.

Porém, cria-se um contratempo: o blog como fica? Por um lado, ela termina de escrever All Star, além disso vai passar um tempão lendo o mesmo livro, desse jeito, acabam-se os posts. 

Nã nã ni nã não! Tá pensando o quê? Nada disso, esse blog não é para os fracos. Continuo com as resenhas, tá? Vou resenhar alguns contos desse lindão aí. Pretendo também continuar a escrever algum conto meu para Relicário vez em quando e dar as novas direções para o meu próximo romance, provavelmente: Por onde andei.

Então, fica ligado!

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Anna e o Beijo Francês

Coisa mais gostosa esse livro. Já virei fã da Stephanie Perkins, apesar do nomezinho meio brega, suas histórias são pra lá de fofas.

Terminei de ler esse livro hoje e estou com vontade de ficar abraçadinha com ele para ver se o encantamento dura mais. Anna e o Beijo Francês é o livro que antecede Lola e o Garoto da Casa ao Lado já resenhado aqui no blog anteriormente. Confesso que gostei mais da Lola, mas Anna não fica devendo em nada.

E a história de Anna, uma moça cujo pai ficou rico de repente e que a manda estudar por um ano em Paris numa escola para jovens americanos, um internato. Como os pais são divorciados, ela meio que encara essa atitude como afronta. Como é que pode? Tadinha dela, essa pobre infeliz, passar um ano estudando em Paris... Classe Média sofre!

Em todo caso, ela conhece novos amigos. E o principal é Étienne St. Clair, um misto de inglês, francês e americano. Achei cute cute eles dois. Achei mesmo. O problema é que St. Clair tem uma namorada. E não é canalhice dele não terminar com ela e começar logo um namoro com a Anna. Acontece que é um momento complicado, difícil para os dois encararem as mudanças e, além disso, que atire a primeira pedra aquele que não ficou num relacionamento por mais tempo do que deveria por medo de magoar e de sofrer.

Gosto da maneira leve como a Perkins escreve. É tudo muito gostosinho, as páginas passam numa velocidade incrível sem que você se dê conta. Um chick lit de primeira. Não sabe o que é chick lit? Segundo a Wikipédia: "Chick lit é um gênero ficção dentro da ficção feminina, que aborda as questões das mulheres modernas. Chick-Lits são romances leves, divertidos e charmosos, que são o retrato da mulher moderna, independente, culta e audaciosa". Cafonice a parte, são histórias de menininha. Anna e o Beijo Francês é super menininha! Adoro!

Gosto também dos personagens diferentes dela. Eles têm um quê especial. Eu acredito neles e nas suas idiossincrasias. St. Clair, por exemplo, é bonito e educadérrimo, bem francês mesmo, mas é mais baixo que a Anna e tem medo de altura. Já a Anna tem mania de limpeza e não consegue aprender línguas com facilidade. Em contato com eles, parece que já somos amigos de longa data. Quando a última página chega, dá uma saudade...

domingo, 28 de abril de 2013

Recomeçar

Estranho estar em casa e não estar escrevendo nada. Para quem ainda não viu o post, acabei de terminar All Star e estou agora no meio do nada, navegando para o infinito que o futuro representa... Poético. Talvez para alguns. Para mim é apenas a realidade.

A realidade de vez em quando dá uma chacoalhada na gente. Ontem foi um dia de receber essas chacoalhadas. Deparo-me com o fato de que seremos todos gente grande num espaço muito curto de tempo. Que, enquanto algumas se vão, outras pessoas estão chegando do lado de lá para nos fazer companhia e que elas serão nossa responsabilidade. E que coisa mais louca: comprar presentes para alguém que você nem conhece ainda, mas que já faz parte da turma. 

Personagens novos. Conhecer os filhos de velhos amigos. A sensação é tão parecida. A novidade assusta. Em todo caso, é preciso recomeçar... Até o Cazuza chegou a conclusão de que o tempo não para... E não para mesmo.

A papo tá meio filosófico, mas certas notícias deixam a gente assim. A ficha demora a cair. Pois é, a mudança começou e eu nem dei por mim. Fecho os olhos e ainda vejo a garota colocando as joelheiras para ir jogar bola. Ainda vejo as paqueras, ainda vejo as inseguranças, ainda vejo as certezas que só a juventude tem. Tá tudo muito vivo aqui dentro. Daí eu abro os olhos e eu tenho um marido e contas que vêm com o meu nome.

Falando assim, parece que isso é ruim. Não é. É ótimo. Adoro pagar contas. Adoro a presença do Raphael, adoro mais ainda não ter de me despedir dele no domingo à noite (o que era horrível!), adoro ter a minha casa, meu carro e minhas vontades atendidas. Ser adulto é muito bom em inúmeros sentidos. Mas rola um certo desconforto de vez em quando. 

É meio como se a adolescente que vive em mim estivesse debaixo da minha pele usando uma roupa muito grande. Ela busca sair, vez em quando vemos seus braços torneados de jogadora de voley ou sua cabeça sonhadora. Ela me olha refletida no espelho e não se conforma, passou tudo muito rápido. Quando a gente estava entendendo as regras do jogo, fomos lançadas nesse universo adulto onde o jogo é completamente outro e nós ainda não conhecemos quase nada. Vida injusta. Ainda tínhamos tantas aventuras para viver...



Resolvemos esse problema de duas forma: ensinando e escrevendo. 

Minha profissão, que é meio vampirismo mesmo, junto com meus alunos, sinto como se vivesse um pouco das histórias deles. Nem todas são bonitas, nem todas são emocionantes. A vida também não é assim, só feita de grandes histórias. Mas, à distância, adoro acompanhá-las e revivê-las como se fossem minhas. O primeiro amor, o primeiro fora, os caras tão bacanas que as meninas não conseguem ver, as meninas tão tímidas buscando romper esteriótipos e sendo mais estereotipadas ainda. Além disso, tem as gírias, as manchas de menstruação, os foras, os ficas, os mungangos, as fotos no espelho, as risadas altas, as idas ao shopping, a certeza mais errada do mundo de que se é original aos dezesseis anos... Amo muito tudo isso. E amo mais ainda poder mangar dessas situações de uma nova perspectiva.

Tudo isso é material humano. Eu e minha adolescente particular aproveitamos tudo para a nossas novas aventuras. Agora, elas começam na nossa cabeça e vão para o papel. As histórias podem começar até na realidade e ganhar o mundo. Outro dia, por exemplo, nós nos pegamos muito interessadas num casal que se formava dentro da sala de aula. Duas turmas diferentes da escola na mesma sala. Ela, menina linda, vaidosa, amigona, girl power total, estilo cabelão e atitude. Ele, músico engraçadinho, cinto Rock And Roll, muita presença, muita bossa e muita insegurança. Assisti feito novela às fofuras dele, à submissão dele abandonando os amigos de gracinha, à delicadeza dos gestos dos dois tocando-se e descobrindo-se encantados com as novas possibilidades. E, na saída, enquanto todos iam embora, ele perguntou se ela não queria ir beber água (leia-se aqui: cantinho mais escuro da escola) e ela foi.  Como um olho treinado como o meu vai deixar um negócio desses passar? Como não transformar em palavras? Como?

Claro que esse lance aí foi só um fica e nos meus livros ia ser amor eterno. Entenda, o papel não transmite todas as sensações dessa fase da vida. As palavras são limitadas, elas não têm cheiro, nem gosto, nem fazem o coração bater depressa. Por isso, eu me permito exagerar. Licença poética, tá! Vários alguéns já me disseram, por exemplo, que todos os personagens das minhas histórias são lindos. São mesmo. Na adolescência, não existe meio termo. Ou é lindo ou é o ó! 

Além disso, se vamos imaginar, porque não nos permitir imaginar gente linda? Detesto esse politicamente correto que faz parecer que ser bonito é errado. Não é! Acho que meus personagens têm defeitos. Vinícios é obsessivo, André é manipulador, Milena é orgulhosa, Mariana é estourada... Mas, aos olhos dos seus pares, eles são todos lindos e perfeitos. Que mal há nisso?

De alguma forma, nós sempre somos lindos para alguém.