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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Toque e Descubra - Publifolhinha

Talvez você esteja se perguntando como começar a ler para seus filhos bem pequenos e, principalmente, o quê? 

A primeira ideia que nos vem a mente são os contos de fada. Nossa primeira lembrança de contato com a leitura. Mas, perceba, nessas lembranças, você era uma criança de quantos anos? Quatro? Cinco? A vida começa bem antes disso. A leitura deve começar também.

Para começo de conversa, ler não é algo natural. É um processo adquirido que vai bem além da aquisição do código escrito. É um processo de várias etapas que precisa ser ensinado e aprendido. Quanto mais cedo a criança entra em contato com "as regras desse jogo", mas natural será para ela. Portanto, ler é um hábito adquirido. Assim como comer verduras. Você ensina a comer verduras oferecendo verduras e comendo verduras. Sim, o exemplo é tão importante quanto o ato de ler para suas crianças.

Então, não adianta mentir. Se na sua casa, na sua comida não tem verdura, seu filho, enquanto criança pequena pode até comer, mas um dia ele irá perceber que não é um hábito partilhado e questionará a validade do ato. O seja, vai recusar verduras. O mesmo acontece com a leitura. Se você não lê, se não há estante em casa, um dia, logo na saída do pré-escolar,  seu filho vai se perguntar da necessidade de ler, se o seu grande exemplo (você) não o faz. Então, mãos a obra. Vá colocar suas leituras em dia.

A leitura, como processo, exige adaptação em pequenos detalhes que nem nos damos conta. Exemplo, e português, lemos de cima para baixo e da esquerda para direita. Isso não é natural. É cultural. Os japoneses, nos mangás, leem da direita para a esquerda. De modo que precisamos treinar o cérebro e a visão dos bebês para acompanhar histórias. A voz é outro aspecto importante a ser estimulado. Seu pequeno adora a sua voz, mas ele vai reconhecer que, no ato da leitura, ela muda de entonação. Isso, certamente, é um estímulo e tanto para quem está procurando dar significado às coisas do mundo. 

O objeto livro também precisa ser entendido. Pense como criança, como pode um objeto conter uma história. conter vozes, personagens? Aquilo é real? O objeto livro é um universo a ser descoberto pela criança e você deve ensiná-la a manipular esse objeto. Eu me tremo toda com livros em caixas de brinquedo. Como se o livro fosse mais um deles. Misturados, desencontrados. prontos para serem colocados na boca e, pior, rasgados.

Livro não é brinquedo. Existem livros que o são. De tecido. De plástico. Próprios para pôr na boca. Acho ótimo. Mas mesmo assim, não devem ficar com todos os brinquedos. Merecem um cantinho especial. E precisam ser explorados como livros. Ou seja, com suas histórias, por mais simples que sejam, contadas.

Aqui em casa, temos livros no banheiro, na sala, no quarto, na estante. Minha filha (orgulho da mamãe) já aprendeu a manipulá-los e, no auge do seu 1 ano e 9 meses, é capaz de acompanhar ou "ler" sozinha um livro pop-up (aqueles em que as figurinhas de papel saltam das páginas) sem rasgar nada. Ela já entendeu que precisa das figuras ali quando for ver o livro novamente.

Então, voltemos a pergunta original: com o quê iniciar crianças bem pequenas no mundo da leitura?

Aqui em casa, uma linha que fez muito sucesso foi a Toque e descubra da Publifolhinha, editora de livros infantis da Folha de São Paulo. Esse selo é maravilhoso e tem muita coisa boa. Mas, hoje, vou me deter no Toque e Descubra.

São livrinhos de páginas grossas e resistentes (resistência é pré-requisito para qualquer objeto que se dê a um bebê). A série tem vários temas, natal, aniversário, meios de transporte, vestir, comer, bichos da fazenda, enfim, uma porção de conteúdos que fazem parte do vocabulário dos pequenos. Aqui em casa temos quatro: hora de vestir, hora de comer, primeiras palavras e bichos de estimação.

Em geral, são baratinhos, encontrei custando entre R$13,00 e R$19,00 e fazem um excelente trabalho na inserção de bebês no universo da leitura. Os livros não têm histórias. São apenas imagens. E o melhor, fotografias. Ou seja, são figuras reais. As crianças, no processo de aquisição da linguagem, têm dificuldades de entender os desenhos, principalmente os menos realísticos. é difícil até para mim aceitar que a Peppa, naquele estilo torto, meio Picasso, é um poro, avalie para um bebê. As fotos ajudam.

Além disso, em cada página, há uma textura para a criança descobrir que imite o objeto, tornando a brincadeira toda mais interessante. Quando lemos esses livrinhos para Bia, mesmo quando ela não respondia, perguntávamos o que estávamos vendo, incentivávamos ela a passar a mão na textura, a imitar o bichinho (quando ela não respondia, nós mesmos fazíamos o som).

Enquanto bebê, ela acompanhava com o olhar. Depois, aprendeu a passar as páginas. Depois, passou a ver as figuras sozinha e a imitar os sons, hoje, quase não pede mais esses (passou para uns que tem mais figuras por páginas), mas sabe quase decorado a sequência, porque criança adora repetição.

Vou parando por aqui. Meu post ficou imenso. Mas espero que tenha sido de alguma utilidade.

Beijos de luz!


terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Sands Alive

Oi, gente!

Hoje a dica de brincadeira também é comprada em loja. Trata-se de uma massinha diferente. Que parece areia (mas definitivamente não é). A Sands Alive! cuja representante no Brasil é a marca Yellow.

Fazia tempo que eu paquerava com esse brinquedo. Brinquedo aqui em casa é coisa muito séria e tem propósito: brincar. Porém, esse brinquedo é bem caro para simplesmente fazer um teste (R$70,00) e a Bia não gostar. Eu estava até pesquisando na internet para fazer essa areia em casa para testar, mas o acaso acabou nos pegando de surpresa. E deu super certo!

A tradicional piscina azul para evitar sujeira
Um dia depois da black friday, eu e meu marido saímos para mais uma das incursões de compras de natal. Gostamos de comprar presentes com antecedência. Eu já havia decidido os presentes da Beatriz, cedo ou tarde eles estarão por aqui. Mas eis que, quando entro na loja de brinquedos, a dita Sands Alive está de promoção R$24,90. Bom, esse é um valor que merece um teste, comprei e não me arrependi um centavo.

O brinquedo vem dessa forma que está aí na imagem. São dois sacos de massinha de 450g. Só usei um dos sacos nesse dia. E vem com esse recipiente para brincar e as forminhas. As forminhas variam de acordo com o tema. Esse é de castelo. Mas tem um de padaria, um de trânsito, um de dinossauro. Enfim, fica a seu critério.

Porém, o que justifica comprar um brinquedo desses numa terra cheia de praias? Não dava para brincar na areia do mar? Claro que dá. E a Bia faz isso muitas vezes. A questão é que a textura desse negócio é totalmente diferente. Uma delícia. Difícil descrever porque nunca vi nada igual. Certamente parece com areia, mas tem liga, como se tivesse algo de plástico, como um pão de queijo por dentro: sei lá! É uma maravilha!

Por conta dessa textura específica, pode-se construir peças bem elaboradas, cheias de detalhes como  as forminhas dos castelos e, ao tocá-los, eles não se desmancham tão fácil quando areia da praia, eles amassam.

Gente, o negócio foi animado aqui em casa. Bia gargalhava todas as vezes em que eu fazia um castelinho. Não faço ideia do que ela pensava quando isso acontecia. Ela, simplesmente, não conseguia se conter de tanta felicidade pegando na massinha. Foi a primeira vez que a piscina azul não foi suficiente para conter a bagunça. Mas nos divertimos horrores. Para vocês terem ideia, só bati fotos do começo do destroço, pois também fui brincar com ela. Durou, pelo menos, uns quarenta minutos de total satisfação.

E, para minha felicidade, foi fácil de limpar. A massinha não gruda nas mãos, porém, a massa em contanto com a massa se une. Então, foi só pegar um pedacinho e sair juntando o restante. Coloquei a massa num potinho e o brinquedo todo num recipiente de plástico comprado exclusivamente para essa função (faço isso com frequência para manter a organização dos brinquedos). Já está no quarto esperando por outro dia de farra.

Não deixei a Bia brincar sozinha, pois tive medo de ela querer colocar na boca. Não aconteceu, mas é bom prestar atenção. Embora a embalagem diga que não é tóxico e que é antibacteriano, todo o cuidado é pouco. O brinquedo é indicado para crianças acima de dois anos. Não contém peças pequenas, porém, a Bia não conseguiu fazer a areia sair das forminhas, mas adorou amassar as formas que eu fazia e pedia para fazer mais.

A-DO-REI o brinquedo. Recomendo demais. Aconselho usá-lo numa piscininha ou num tapete para diminuir a sujeira e o trabalho. Bia amou, mas acho que crianças maiores, até nove ou dez anos, vao adorar também. Eu mesma poderia brincar com ele no auge dos meus trinta e três. A textura é fabulosa. Experimenta!

Essa é mais uma dica de presente de natal. Quem sabe para aquele seu sobrinho que a mãe tem mania de limpeza. Ela vai te odiar. 

Só deixando claro. Comprei o brinquedo de livre e espontânea vontade. Não estou recebendo um tostão para divulgá-lo. Estou fazendo isso porque é maravilhosos mesmo.

Abraços!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Menina de Vinte

Hoje é dia de resenha, bebê!

Passei uns vinte dias enterrada em trabalho, mas, como tudo na vida, as fases vão passando e consegui (finalmente) ler alguma coisa. Tinha a intenção de trazer algo de literatura adulta, mas ainda não deu. Fica a promessa.

Acabei lendo esse livro aí, Menina de vinte da Sophie Kinsella. Ele já tem um tempinho no mercado e o meu exemplar, por um acaso, está bem empoeirado (tadinho). Comprei na Estante Virtual bem baratinho.

Para começar nossa conversa, falemos um pouco sobre Kinsella. Ela é a autora da série de livros da Becky Bloom, a divertida consultora financeira que vive endividada por conta de um vício em consumo. Gosto muito da série. Tenho todos. Kinsella é especialista em situações constrangedoras que vão se agravando até condições inacreditáveis. É divertido, mas não espere coerência em tudo, até porque perde a graça. Simplesmente se divirta com os micos extraordinários e relaxe.

Em Menina de Vinte, apesar da pegada diferente, entre fantasmas e histórias de detetive, a proposta continua a mesma. Não me arrependi do tempo investido. O roteiro conseguiu me manter interessada até o fim.

Nesse livro, acompanharemos Lara, uma moça que está em apuros, acabou de levar um fora do namorado e abriu um negócio com uma sócia que simplesmente a abandonou sem aviso prévio num ramo que ela não conhece (recrutamento empresarial). Lara vai ao funeral de uma tia-avó de 105 anos a quem ela não conhece e, no meio do evento, começa a ver a tal tia, não como uma velhinha, mas como uma garota de vinte e poucos anos.

Sadie, então, percebe que Lara a vê e exige que a sobrinha-neta procure por um colar, pois não consegue descansar em paz sem ele. A tia-avó é briguenta e mandona, mas muito mais liberada do que a sobrinha e tem suas próprias maneiras de conseguir as coisas.

Lara acaba no meio de inúmeras confusões por conta desse colar. E tem que lidar tanto com a sua vida pessoal e profissional quanto com os desejos esdrúxulos de Sadie, como dançar Charleston com um total desconhecido. Mas, aos poucos, vai entendendo que a tia tem muito a colaborar e que a história do colar esconde vários aspectos do passado que precisam ser revelados.

Contar mais sobre a sinopse seria estragar o prazer da leitura. Afinal, é um livro de detetive. Porém, fica a minha avaliação. Numa escala de zero a dez, dou um sete. Gostosim que só de ler...

Valeu! 

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Atividade: fazendo presentes de natal

Hoje a dica é de um presente de natal para as vovós e titios coruja. A Bia se achou o máximo ajudando a fazer. Ela fica se sentindo quando a gente não a trata como bebê.

Para fazer você vai precisar de

Bolinhas de natal um pouco maiores do que a mão da criança.

Tinta - Essa é guache metalizada (branca)

Pincel
Minha ajudante mostrando o material.

Caneta marcadora (Dessas de marcar CD)

Verniz - Sugestão do meu marido para manter a tinta, mas eu não usei.

Vou logo avisando que fizemos essa atividade na volta da farra de domingo. Então, estou #fimdefeira. Destruída. Mas não liga para isso não.

Fazer é fácil. Basta passar a tinta na mãozinha da criança. Eu sempre fico conversando com a Bia para distraí-la. Faço perguntas. Canto. Mas até que é fácil. ela adora tinta e já está acostumada com atividades de pintura.

Depois, é só deixar a criança segurar a bolinha. Fazendo da mão dela um carimbo. Segura firme para marcar todos os dedinhos ao redor da bolinha. 

Tira com cuidado para não borrar muito (algum borradinho vai ter, exigência em artesanato com criança só gera estresse. Relaxa!) e deixa secar.

A tinta seca bem rápido. Ainda bem. Nessa hora. Levo a Bia para lavar a mão, porque ela adora ver o resultado dos trabalhos e avacalha com tudo.

Por fim, coloco o nome dela e o ano em cada bolinha com a caneta para CD e está pronta a lembrancinha das vovós e dos titios. Para colocar na árvore. Fiz uma para mim também: claro.

Tentamos com tinta verde escura nas bolinhas vermelhas e depois com tinta branca metalizada. O branco ficou infinitas vezes melhor, mas as escuras funcionam também.

Você pode passar o verniz se quiser. Mantém melhor a tinta.

Para terminar, reparou na nossa "mesa"?

Bia adora caixas de papelão. Então, quando vamos ao supermercado trazemos uma de vez em quando. Essa daí é bem durinha, ela amou, leva para todo canto. Às vezes, assiste televisão de dentro dessa caixa, colocamos uma fraldinha em cima e fica pronta para o chá das cinco, fazemos todos os artesanatos e tarefas de sujeira em cima dela. A Bia risca, pinta e derrama suco e não estamos nem aí, quando estragar, pegamos outra. Fica a dica.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Trecho de Resposta

─ Alô? – Acordou sobressaltado, procurando o telefone que caiu. Pensou mil coisas. Que alguma coisa aconteceu. Com a mãe. Com a irmã. Que horas eram? 2:15 da madrugada.
─ ... – O silêncio do outro lado o estava deixando louco.
─ Alô? – Perguntou novamente. Procurava pelo número no visor, mas não fazia ideia de quem poderia ser. – Olha, se for trote... – Começou a se zangar.
─ Sou eu. – Sentiu as forças se esvaindo. Reconheceria aquela voz até no inferno. Era com ela que conversava nos seus sonhos. Vinícios deixou seu corpo pesar e caiu na cama.
─ Malu...
─ Eu precisava ouvir a sua voz.
Ela estava chorando. Dava para sentir pela respiração falha. Tentava dar alguma firmeza àquela fala, mas não conseguia. O coração de Vini acelerou. Ela. Bastava ela. A voz dela. A respiração dela.
O silêncio que partilhavam naquela ligação dizia tantas coisas. As lágrimas que ele sabia que corriam nos olhos dela, também desciam uma a uma devagar pelos seus. Passara meses para se reerguer, mas o som da voz dela era o suficiente para deixar claro que ele nunca superaria.
─ Está tudo bem com você? – Criou forças para perguntar. – Aconteceu alguma coisa?
─ Aconteceu. – Não tentava mais esconder que estava chorando.
─ Está tudo bem? – Preocupou-se.
─ Aconteceu que eu não tenho você. – Ela soluçava. E as lágrimas também caíam sem controle dos olhos dele.
─ Ah Malu! – Respirou fundo. – Não faz assim, vai... – Quase implorou. – Você escolheu. Eu também decidi. A gente não pode ficar nessa tortura, sabendo que é o certo e desejando que fosse diferente. Não chora, por favor...
─ Eu sei de tudo isso, Vini. Mas...
─ Mas...
─ Sem você não tem graça.
─ Eu sei que você está namorando.
─ Eu sei que você está beijando milhares de bocas também...
─ Trocar acusações vai resolver alguma coisa?
─ Ficar me procurando nos braços das outras por um acaso vai? – Vini se surpreendeu com a resposta. Era uma voz firme. Decidida. Nem parecia a Maria Lúcia. Ficou em silêncio. Não tinha mais o que dizer. Não naquela situação. Ficou ouvindo a respiração apressada dela do outro lado da linha. – Para mim não está adiantando nada. – Ela continuou a falar de repente. – Bastou ver uma foto sua com a Ana Maria no boliche nas redes sociais e nada do que estou fazendo aqui fez mais sentido. – Malu tornou a chorar com mais intensidade.
─ Malu, o que você fez? O que aconteceu?
─ ... – Ela não respondeu. Vini entendeu tudo.
─ Você transou com seu namorado? – Precisou de todo o autocontrole que tinha para conseguir pronunciar essa frase.
A resposta foi pouco mais do que um grunhido de concordância. Vinícios sentiu o planeta girar, o chão sumir. Ainda bem que estava deitado ou então, certamente, desfaleceria. No íntimo, sabia que cedo ou tarde aquilo aconteceria, mas nunca imaginou ter de discutir isso com ela.
─ Ele te machucou? Você está bem? – Era tolo a esse ponto. Encontrava forças para se preocupar com ela. Mesmo estando destruído por dentro.
─ Não. Foi bom. – Ela fungou. Vini tentava lidar com a palavra bom. Era como ser eletrocutado aos poucos. – Só não foi você...
─ Malu...
─ Sei que estou sendo cruel. Ligando para você uma hora dessas. Reclamando de uma foto. Como se eu tivesse direitos sobre você. Mesmo tendo namorado. – Vini ainda não se recuperara da notícia. Cenas do amor de sua vida na cama com outro homem ainda não tinham saído de sua cabeça. Misturavam-se com cenas deles dois. E doía. Tanto a lembrança, quanto a constatação do fato de que não estavam mais juntos. – Eu só queria que você soubesse que parece que eu superei você, mas não é verdade. Penso em você a todo o momento. Em cada, música que toca, em cada floco de neve que cai...
─ Em cada beijo, em cada toque do seu namorado? – Não a deixou concluir o raciocínio.
─ Isso te machuca? – Perguntou interessada. – Se machucar, acabo com tudo isso agora mesmo...
─ Não faça isso. – Decidiu. – Por mais que eu não possa fingir, não para você, o quanto o fato de você ter transado com outro cara me afeta. E como afeta. – Respirou fundo. – Tenho que admitir que você esteja certa. Está tentando reconstruir sua vida. Tentando ser feliz...
─ Não estou conseguindo, se quer saber...
─ Mas vai... – Vini assumiu um tom de voz carinhoso. – Vai sim. E eu também vou.
Os dois partilharam novamente o silêncio. Representação física do vazio que agora havia entre os dois.
─ Malu, eu amo você.
─ Também amo você. Muito.
─ Preciso de um favor seu...
─ Qualquer coisa.
─ Não me liga mais. – Sentia seu coração dar um salto, contorcer-se de dor dentro do peito. Mas era algo que precisava ser feito.
─ Vini... – Ela implorava.
─ Vai ser melhor assim. – Estava decidido. – Para nós dois.
─ Vini...
─ Eu não quero ser uma âncora que te prende ao passado. Tudo que deveria ter sido e não foi. – Soluçou. – Nem posso permitir que o que eu sinto por você se torne uma prisão, um motivo para remoer cada palavra trocada ao telefone, cada foto postada na internet, cada notícia trazida por um amigo, cada verdade que construirmos nas nossas novas vidas. Eu preciso deixar você ir. Eu preciso deixar de me importar. Você entende?
─ ... – Silêncio. O que ela poderia responder?
─ Malu, espero que você entenda que isso não tem nada a ver com o que você me disse hoje. O sentimento que carrego em mim é maior do que qualquer coisa que você possa fazer. Mas, estou percebendo que isso, talvez, não seja legal. – Forçou um sorriso. – Que eu tenho que deixar sobressair um pouco mais de mim. Que eu preciso aprender a me bastar. – Enquanto falava, convencia mais a si mesmo do que a ela. – Por isso, vou repetir o pedido: não me liga mais. Por favor, não me dá mais notícia...
─ Eu nunca vou te esquecer.
─ Já eu, vou tentar te esquecer com todas as forças. Mas não é porque eu não te ame, é porque eu te amo demais. E isso está me machucando muito.
─ Queria que fosse diferente...
─ Isso é possível? – Ambos buscavam, no plano das possibilidades, um universo alternativo em que a relação deles pudesse acontecer.
─ Creio que não. – Malu se lembrou de todas as conversas antes da viagem. De tudo que tentaram. Da força necessária para se conformar com o destino. Da aceitação. Da lealdade. Do fim.
─ Você me entende? – Ela poderia facilmente ouvir o quanto aquela ligação mexera com ele. Estava ofegante. Vini não parava de fungar. Pensou que ele iria se magoar com a história do sexo. O coração de Vini era repleto de amor. Tinha impressão de que nada abalaria aquele sentimento louco que aprendera a amar também. Ao mesmo tempo, dava-se conta que aquilo não estava fazendo bem a nenhum dos dois. Estava apenas os impedindo de continuar. Ambos precisavam seguir em frente. Arrancar de vez o band-aid de uma ferida que não cicatrizava e deixá-la exposta. Talvez, assim, alguém conseguisse entrar para curar ou transformar o sentimento em outra coisa. O que Vini pedia era justo.
─ Entendo.


***

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Atividade: piquenique

Nós moramos relativamente perto da casa onde nasceu o famoso escritor cearense José de Alencar. O espaço foi adquirido pela Universidade Federal do Ceará e já chegou a abrigar por uns tempos o curso de música. Hoje, conta com pequenos museus, um restaurante de comidas típicas, parquinho e uma área verde super gostosa.

É bom de ver que as pessoas estão aproveitando esse espaço público. Nos domingos pela da manhã, às vezes tem programação voltada para o público infantil (contação de história), às vezes não tem nada de especial, mas as pessoas vão com suas crianças fazer piqueniques e, tem virado moda, fazer aniversários mais simples, com as crianças brincando de pé no chão. 

A Bia, sempre que vamos, adora. Tanto pelo tipo de brincadeira já que ela fica solta indo para onde quer, quanto pelas crianças. Domingo passado, havia uma exposição de orquídeas. Acho essa florzinha em especial muito linda. Então resolvemos ver a exposição e fazer um piquenique.

Acho importante levar as crianças desde cedo para esse tipo de programa. Exposições, teatro, cinema, é nosso papel ensinar a se comportar, dizer o que pode pegar, o que pode ver. Além disso, cabe a nós, pais, formar esse público. Digo aos meus alunos que temos, muitas vezes, que quebrar um ciclo. Mesmo que não tenhamos o hábito de ir à exposições, ao levarmos nossas crianças, deixamos esse legado para elas. Cultura e educação são o melhor presente que se pode dar.

A atividade com as orquídeas foi ótima, mas rápida. Classificamos as plantas por tamanho, cor, chamamos a atenção da Bia para detalhes. Ainda assim, com uma infinidade de espaço para correr e para explorar, ela ficou interessada por pouco tempo. Normal.

Partimos para o piquenique. 

Quando nos arrumamos para esse programa, levo um lençol que faz as vezes de toalha de piquenique, suco, água, uma fruta fácil de comer (banana, tangerina, No caso foi passas, a Bia ama), pedaços de bolo e bolachinhas. Não precisa levar um supermercado inteiro. Dá trabalho e nem é eficiente. Leve o que sua criança goste de comer e em pequenas quantidades. É somente um lanche. O lugar diferente já dá o clima especial.

Levo também brinquedos para atividades agitadas (bola ou bolhas de sabão para ela correr atrás) e brinquedos para atividades tranquilas (qualquer um de encaixar ou montar que deixem a criança concentrada). E levo livros. Porque todos os lugares são bons para a leitura. Deixo os brinquedos na cesta e a Bia escolhe.

Geralmente, passamos umas duas horinhas entre corridinhas, lanche, descida de escorrega e leitura. Bia chega exausta e o sono da tarde é recompensador para nós três. Nesse domingo, porém, foi diferente. 

Estávamos bem sentados debaixo das árvores, Bia terminando de lanchar, eu deitada, quando os sprinklers de jardim começaram a funcionar. Fiquei toda molhada nas costas, primeiro lugar a ser atingido, levantei, mas o lençol ficou todo molhado e cheio de areia. As pessoas começaram a recolher as coisas desesperadas. Eram muitos sprinklers.

Veja bem, para tudo na vida existe mais de uma perspectiva. O piquenique acabou, mas a farra estava apenas começando. A Beatriz amou os sprinklers, é claro. Estava fascinada com essa água que vinha do nada. Girou e correu atrás do jato, tentou beber, pulou nas poças, testou a resistência da água na sua bola das princesas. Foi um espetáculo melhor do que o programado.

Minha pequena era só felicidade e sei que essa cena vai demorar a sair da sua frágil memória. Eu prefiro ver o copo meio cheio. O dia foi melhor do que eu poderia imaginar. Já algumas mães gritaram para as crianças se afastarem da água por conta da sujeira. Por conta da roupa. Por conta do carro. 

Que chato! Ser criança numa terra de 'não pode' não tem a menor graça. E não vou nem me deter questionando os motivos.

Quando os sprinklers foram desligados meia hora depois, tiramos a roupa encharcada da pequena. Eu tratei de aquecê-la, papai limpou a sujeira e partimos para casa. Aí foi banhozinho quente com eucalipto para inalação. Almoço com fome de leão e soninho.

Delícia!





segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Sejamos Todos Feministas


Minha leitura dessa semana (não tem sido nada fácil ler, mas vai melhorar) foi Sejamos Todos Feministas (Companhia das Letras) e tenho tantas coisas para falar sobre ele que mal consigo controlar meus dedos no teclado devido a tanta ansiedade.

Não é literatura. Trata-se de uma palestra da escritora nigeriana Chimamanda Adichie (nome legal!) sobre um assunto que parece batido, mas que, na verdade, infelizmente, não é nada óbvio ainda: feminismo.

Essa palestra esta aí para vocês na íntegra. Fez parte do TEDx que, por sinal, é uma iniciativa muito boa. o TEDx traz palestras sobre vários assuntos, ideias que merecem ser compartilhadas. São maravilhosas. Pode ver no youtube, você não vai se arrepender. Caso queira saber mais sobre o TED, clique aqui. E eu te direciono ara uma matéria da Superinteressante.

Sobre Chimamanda Adichie, o que posso dizer? Assim como muitos de vocês, eu não a conhecia. Ela é nigeriana. Simpática. Divertida. Professora universitária. E escritora. Seus livros tratam sobre temas entre África e América. E eu estou muito interessada em ler Americanah, acabei de comprá-lo na Estante Virtual. A história do romance entre dois nigerianos, ela vai estudar nos EUA, ele, pós onze de setembro, fica sem poder acompanhá-la, por conta das medidas americanas contra estrangeiros, na Nigéria. Por força do amor, vão se reencontrar, mas com cabeças e realidades totalmente diferentes. Achei a plot fantástica. Lupita Nyong'o (atriz negra que ganhou o Oscar) comprou os direitos para o cinema.

Com relação ao discurso, por favor, vejam vocês mesmos. Ela é uma oradora fantástica. Gostei da maneira como se posicionou diante de um tema que parece atingir ao mundo inteiro. Igualdade. De gênero. De raça. Seja qual for. 

Achei particularmente interessante quando ela trata das generalizações. Por que não tratar do problema dos direitos humanos ao invés de tratar especificamente do feminismo? Essa é uma pergunta tão constante nas minhas aulas que até tenho medo da juventude hoje em dia. Concordo com Chimamanda, porque não seira justo é a resposta. Esconder a especificidade do problema não o resolve, pelo contrário, é como escondê-lo debaixo do tapete de todas as problemáticas do mundo. 

Definitivamente, o mundo tem vários problemas. A desigualdade de gênero é apenas um deles. Ainda assim, é um problema medonho. Tanto para as meninas que são estuprada, assediadas, desvalorizadas, quanto para os meninos que são forçados à violência, que são as maiores vítimas da violência, que são renegados ao meramente financeiro nas relações familiares, sendo excluídos do trato social e da compreensão dos sentimentos humanos desde a mais tenra infância.

É difícil lidar com tanto radicalismo. Culpar o homem pelo modelo patriarcal não é eficiente. Deixar de ver a desigualdade de gênero tampouco. Acho que Chimamanda caminhou pelo assunto de maneira coerente. Principalmente quando fala de mudança. De uma mudança que começa pela educação. Uma educação diferente.

Ela diz "A questão de gênero é importante em qualquer canto do mundo. É importante que comecemos a planejar e sonhar um mundo diferente. Um mundo mais justo. Um mundo de homens mais felizes e mulheres mais felizes, mais autênticos consigo mesmos. E é assim que devemos começar: precisamos criar nossas filhas de maneira diferente. Também precisamos criar nossos filhos de maneira diferente."

Mas diferente como?

Chimamanda diz "E se criássemos nossas crianças ressaltando seus talentos, e não o seu gênero? E se focássemos em seus interesses, sem considerar gênero?".

Nossa! Acho que é totalmente por aí. Quero muito que minha filha seja exatamente aquilo que ela queira ser. Ainda que seja engenheira ou piloto de Fórmula 1. Mas, na prática, assim como você, ainda tenho alguns dilemas. O principal deles é: como vou ensinar a minha filha a lutar pela igualdade se tenho medo que ela seja atacada no meio da rua se usar um short curto?

Tento me conformar que é um processo lento. Acredito que faço a minha parte quando enfrento uma sala de quarenta e cinco adolescentes para discutir o que vem a ser igualdade. Mas, confesso, que assim como boa parte das pessoas que se diz feminista, ainda tenho o sonho de poder comprar sem medo um conjunto de panelinhas para o meu afilhado sem ser julgada.